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Riqueza feminina cresce e exige adaptação do mercado financeiro, diz executiva

Riqueza feminina cresce e exige adaptação do mercado financeiro, ampliando participação e planejamento, sob risco de não aproveitamento

Emma Wheeler, responsável pelo programa de gestão de patrimônio para mulheres no UBS Global Wealth Management — Foto: UBS
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  • Emma Wheeler, chefe global de Women’s Wealth do UBS, afirma que a riqueza feminina cresce globalmente, mas o setor financeiro não se adaptou a esse novo perfil de investidora.
  • No Brasil, Wheeler liderou treinamentos do programa She Leads, que busca ativar, educar e conectar mulheres em torno de riqueza e liderança.
  • Mulheres são mais estratégicas e orientadas a longo prazo, com menos negociações e maior disciplina, o que pode levar a performances melhores no longo prazo.
  • Na América Latina, a riqueza feminina deve crescer 13% até 2030; hoje representam 32% da riqueza investível na região, com estimativa de chegar a 39% até 2030; herdada geração Baby Boomer para Millennials e Gen Z pode chegar a US$ 83 trilhões.
  • O descompasso entre crescimento da riqueza feminina e aconselhamento financeiro já resulta em insatisfação global; estima-se que 70% das viúvas deixam a instituição financeira em até um ano após a morte do cônjuge. Para capturar a oportunidade, defende-se três pilares: comunicação e relacionamento, planejamento patrimonial e educação e engajamento.

Mulheres em cargos de liderança e herdeiras estão no centro de uma transformação no mercado financeiro. O UBS aponta que, embora controlem volumes crescentes de riqueza, esse perfil não é totalmente captado pelo sistema financeiro. A atualidade indica necessidade de adaptação global do setor.

A executiva Emma Wheeler, chefe global de Women’s Wealth do UBS, afirma que o avanço da riqueza feminina revela um desalinhamento com a oferta de serviços. O objetivo é ampliar o acesso e a participação das mulheres nos investimentos, independentemente do patrimônio.

Wheeler esteve no Brasil para coordenar o programa She Leads, que busca educar e conectar mulheres em torno de riqueza e liderança. Em entrevista, ela reforçou que a indústria precisa aprender a dialogar com esse novo público.

Perfil de investidora

Segundo Wheeler, o comportamento feminino ao investir não é de maior conservadorismo, mas de maior estratégia e foco em objetivos de longo prazo. Mulheres costumam adotar decisões de risco calculado, com menor volatilidade e disciplina, o que pode favorecer o desempenho a longo prazo.

Transferência de riqueza

O momento atual é de transferência de riqueza para as mulheres, com crescentes números de profissionais que acumulam fortunas. No contexto da América Latina, a riqueza feminina deve crescer, impulsionada por liderança, empreendedorismo e mudanças demográficas.

Na região, as mulheres já controlam cerca de 32% da riqueza investível; a projeção é chegar a 39% até 2030. Espera-se que a herança de gerações anteriores mova grandes volumes de capital para mulheres e para as novas gerações.

Riscos de ignorar o movimento

Ainda há insatisfação global com o aconselhamento financeiro entre mulheres. A indústria enfrenta a necessidade de oferecer serviços mais alinhados a esse público, com maior compreensão de seus objetivos.

Estimativas apontam que, se as mulheres investissem na mesma medida que os homens, o PIB global poderia ganhar trilhões de dólares, com parte significativa em investimentos sustentáveis. A participação feminina é vista como potencial de crescimento econômico.

Mudanças necessárias

Para capturar a oportunidade, Wheeler defende três pilares: comunicação voltada a objetivos de vida, planejamento patrimonial com foco no longo prazo e educação para ampliar engajamento. O objetivo é tratar mulheres como motor de crescimento, não apenas como pauta de diversidade.

Papel dentro das famílias

A líder do UBS destaca a importância de incluir as mulheres nas discussões sobre patrimônio dentro das famílias. No Brasil, é comum que a conversa ocorra apenas em casos extremos, como viuvez ou divórcio. A indústria precisa atuar para manter mulheres engajadas nesse diálogo.

Para quem está começando, Wheeler orienta aprender cedo, investir com propósito e ensinar às filhas sobre poupar, gastar e investir. A ideia é tornar o investimento um tema acessível e alinhado a mudanças sociais.

Conclusão de leitura

A executiva aponta que não se trata apenas de retorno financeiro. O setor deve ampliar a participação de mulheres na tomada de decisões de investimento e incorporar perspectivas de gênero nas gestoras. A mudança é vista como etapa essencial para o equilíbrio econômico global.

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