- Governo gastou mais de US$ 1,2 trilhão em 2024 em combustíveis fósseis, cinco vezes acima do destinado a energia limpa, segundo estudo divulgado em Santa Marta.
- O relatório aponta que a transferência de recursos público-antigos para fósseis contrasta com metas de transição energética e ajuda a explicar impactos de crises geopolíticas na inflação e contas públicas.
- Subsídios globais aos combustíveis fósseis somaram US$ 921 bilhões em 2024, podendo subir com a volatilidade do petróleo.
- Ações de governos do G20 em 2024 mostraram avanço para renováveis, com cerca de US$ 169 bilhões destinados à energia limpa, mas ainda aquém do necessário.
- Na conferência em Santa Marta, a Colômbia anunciou plano de reduzir 90% do uso de combustíveis fósseis até 2050, enquanto Brasil permanece com atraso relativo ao cronograma de transição.
A Conferência de Santa Marta, na Colômbia, reúne mais de 50 países para debater a transição energética global. Um estudo divulgado pelo International Institute for Sustainable Development (IISD) aponta um abismo entre financiamento a fósseis e energia limpa em 2024: governos destinaram US$ 1,2 trilhão a petróleo, gás e carvão, contra US$ 254 bilhões para renováveis. A diferença chega a cinco para um, em plena discussão sobre segurança energética.
Segundo o IISD, o apoio público aos combustíveis fósseis continua alto apesar de promessas de mudança. O estudo também indica que nove dos maiores importadores de fósseis gastaram US$ 314 bilhões em subsídios em 2024, 2,5 vezes mais que o destinado a renováveis nesses países. O fluxo financeiro aponta riscos para a transição energética.
Subvenções e impactos macroeconômicos
O relatório mostra que, no conjunto global, subsídios aos combustíveis fósseis somaram US$ 921 bilhões em 2024, podendo aumentar com volatilidade do petróleo. Medidas para conter preços costumam ser caras e beneficiam mais os grupos de maior renda, segundo os autores.
Avanços e obstáculos na matriz energética
Ainda que haja incremento de investimentos em renováveis – cerca de US$ 169 bilhões pelo G20 em 2024 – o ritmo não basta para reduzir emissões e ampliar segurança energética. O IISD aponta que recursos para redes, armazenamento e eficiência são cruciais para ganhar robustez econômica diante de choques externos.
Movimentos de mudança entre países e dúvidas no Brasil
Em Santa Marta, a meta é transformar compromissos da COP28 em políticas públicas, com roteiros nacionais até a COP31 na Turquia. A Colômbia anunciou um plano de reduzir 90% do uso de combustíveis fósseis até 2050. No Brasil, a promessa de um roteiro de transição foi apresentada na COP30 em Belém, mas está atrasada em relação ao prazo previsto.
Perspectivas para o financiamento público
O estudo destaca que, no fluxo internacional de recursos, houve queda no financiamento a fósseis para US$ 37 bilhões em 2024, enquanto o apoio à energia limpa subiu para US$ 47 bilhões. Ainda assim, a distância entre fósseis e renováveis permanece significativa para cumprir metas climáticas globais.
Entre na conversa da comunidade