- O atentado contra o presidente Donald Trump reacendeu a percepção de insegurança no mercado internacional, levando investidores a reduzir aportes, segundo o economista Reinaldo Cafeo.
- Cafeo afirma que o ambiente político nebuloso diminui a previsibilidade e faz o capital adiar decisões estratégicas.
- A relação risco/retorno pesa sobre o ritmo da economia global, com dúvidas sobre a política monetária dos Estados Unidos, como a possível saída de Jerome Powell e a entrada de Kevin Warsh.
- No Brasil, a inflação voltou a ganhar força, impactada pela tensão geopolítica envolvendo Irã e petróleo; o preço do diesel continua pressionado pelos custos do petróleo.
- O Copom é visto com cautela: a aposta é por queda pequena na Selic (aproximadamente 0,25 ponto percentual); o Focus aponta IPCA em 4,86% e PIB de 1,85% para este ano.
O atentado contra o presidente Donald Trump reacendeu a insegurança no mercado internacional, ampliando o receio dos investidores. Economistas dizem que esse tipo de episódio reforça a necessidade de previsibilidade e estabilidade, fatores que costumam frear aportes.
Ao identificar o risco político como driver de maior cautela, analistas destacam que o ambiente fica mais nebuloso para decisões de investimento. Com menos apetite por ativos, o ritmo da economia global tende a desacelerar.
No cenário brasileiro, a inflação voltou a ganhar peso após um alívio inicial. A crise geopolítica envolvendo Irã e petróleo influencia os preços, elevando fontes de pressão. O dólar caiu, mas o petróleo peso na alimentação eleva o custo logístico e o preço final.
Risco e retorno
O economista Reinaldo Cafeo explica que, quanto maior a percepção de instabilidade, menor o apetite por investimentos. Isso reduz o potencial de crescimento global ao diminuir novos aportes e postergar decisões estratégicas.
Essa relação entre risco e retorno afeta diretamente o ritmo da economia mundial. Investidores passam a priorizar ativos mais seguros, o que pode frear o ciclo de crescimento em vários países.
Composição da inflação e impacto local
Cafeo aponta que a inflação brasileira é pressionada pela combinação de alta nos preços internacionais do petróleo e pela demanda doméstica. Mesmo com a queda do dólar, a elevação do custo do óleo diesel eleva o transporte e, por consequência, o índice geral de preços.
A elevação do IPCA facilita a percepção de inflação persistente. Com isso, itens de consumo aparecem mais caros para famílias, especialmente para a classe trabalhadora que sente o impacto no dia a dia.
Cautela no Copom
A expectativa para a próxima reunião do Banco Central é de cautela. A hipótese mais provável é de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, mantendo disciplina monetária estreita. O mercado prevê o fim do ano com a taxa em 13%.
Essa postura transmite que mudanças maiores devem ocorrer apenas com sinais consistentes de melhoria na inflação. O desfecho facilita ou dificulta o cenário de cortes em 2025, conforme o quadro econômico evolua.
Focus mostra ambiente deteriorado
O Boletim Focus aponta piora nos cenários. O IPCA deve chegar a 4,86% neste ano, acima do teto de 4,5%. As projeções para 2027 e 2028 também recuam, indicando desancoragem de inflação. O PIB é revisado para 1,85%, sinal de crescimento mais tímido.
A combinação de inflação elevada e juros reais altos impõe contenção no consumo. O custo da dívida pública e a necessidade de manter atratividade de investimentos continuam em pauta.
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