- Especialistas defendem um crédito rural menos dependente do Plano Safra, com renegociação de dívidas e maior uso de seguro rural.
- Valorização de instrumentos privados, como LCA, LCI e CRI, e fontes permanentes de crédito para ampliar previsibilidade para produtores.
- Cobertura de seguro no campo é baixa: de aproximadamente 90 milhões de hectares, apenas cerca de 7,5 milhões têm proteção securitária.
- Banco do Brasil indica que o Plano Safra continua relevante, principalmente para linhas subsidiadas, e aposta em CPR Verde e título internacional ligado à preservação ambiental.
- Agricultura familiar recebe atenção com o Pronaf Agroecologia, juros a partir de 2%, e o Selo Biocombustível Social, que envolve mais de 60 mil famílias e movimenta cerca de R$ 6 bilhões por ano.
O agronegócio vive um momento de desafio e transição. Especialistas destacam que a maior previsibilidade no crédito rural depende de menos dependência do Plano Safra, com maior uso de instrumentos privados e fortalecimento do seguro rural. A análise foi feita durante o CNN Talks Agro, nesta segunda-feira (27), na Agrishow, em Ribeirão Preto, no debate sobre financiamento estratégico, clima e geopolítica.
Arnaldo Jardim, presidente da Comissão Especial da Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde, apontou a necessidade de renegociação de dívidas e ampliação de fontes permanentes de crédito. O Congresso tem priorizado medidas para reduzir a insegurança financeira do setor, com foco no seguro rural e na proteção de títulos agrícolas como LCA, LCI e CRI.
Para Jardim, o setor passou por crescimento recente, mas enfrenta juros elevados, margens menores e impactos climáticos. A proposta é que produtores, pessoas físicas e jurídicas, possam renegociar passivos e manter a produção, sem perder ritmo. A cobertura do seguro no campo continua baixa, segundo o executivo.
Felipe Duch, Superintendente Private do Banco do Brasil, reforçou que o Plano Safra segue relevante, especialmente para linhas subsidiadas como Pronaf e Moderfrota. Contudo, destacou o crescimento do mercado de capitais como complemento ao financiamento, com o BB respondendo por mais da metade do crédito agropecuário no país.
A instituição aposta em linhas ligadas à sustentabilidade, incluindo CPR Verde e programas de recuperação de áreas degradadas. Também foi mencionada a emissão recente de título internacional voltado à preservação ambiental e à recuperação de bacias hidrográficas.
Agricultura familiar
Vivian Libório de Almeida, diretora de Inovação para Produção Familiar e Transição Agroecológica do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, destacou linhas do Pronaf voltadas a práticas sustentáveis. Entre elas, o Pronaf Agroecologia oferece juros a partir de 2% ao ano, com modalidades voltadas à bioeconomia, mulheres, jovens e solos recuperados.
Especialistas defendem um modelo de crédito rural menos dependente do Plano Safra, com maior previsibilidade e maior uso de instrumentos privados, mantendo proteção ao produtor contra riscos climáticos e de mercado. A ideia é evoluir para uma matriz de financiamento mais estável e diversificada.
Perspectivas para biocombustíveis
O debate apontou o avanço dos biocombustíveis como elemento estratégico para soberania energética, atração de investimentos e participação na transição global para fontes renováveis. O governo é visto como capazes de elevar a mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, com expectativa de alta do biodiesel no diesel de 15% para 17%.
Jardim enfatizou que esse movimento pode ocorrer sem comprometer a segurança alimentar, desde que haja aproveitamento de subprodutos da cadeia de proteína animal. A iniciativa é apresentada como parte de uma agenda maior de transição energética.
Vivian Libório destacou o papel da agricultura familiar na transição energética, com participação de mais de 60 mil famílias no Selo Biocombustível Social, que movimenta cerca de 6 bilhões de reais por ano. O programa amplia crédito, assistência técnica e acesso a mercados para pequenos produtores.
A partir dessas informações, a tendência é integrar a agricultura familiar ao planejamento de energia limpa, fortalecendo sustentabilidade, renda no campo e segurança energética. O tema continua em pauta entre policymakers, bancos e agentes do setor privado.
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