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Custo do crédito no Brasil em março atinge maior patamar em quase uma década

Custo do crédito sobe para 33,1% ao ano em março, maior desde outubro de 2016, com crédito a pessoas físicas em 38,4% ao ano

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  • Em março, a taxa média de juros das concessões de crédito no Brasil ficou em 33,1% ao ano, alta de 0,2 p.p. frente a fevereiro e 1,9 p.p. maior que março do ano passado; o nível não via esse patamar desde outubro de dois mil e dezesseis.
  • Para pessoas físicas, a taxa média chegou a 38,4% ao ano em março, 2,8 p.p. acima de março de dois mil e vinte e quatro, o mais alto desde março de dois mil e dezessete (40,6%).
  • A taxa média de inadimplência de pessoas físicas ficou em 7% em março, ainda elevada e a maior desde o último trimestre de dois mil e doze.
  • Em operações de crédito com recursos livres, a taxa média ficou em 48,3% ao ano, 0,1 p.p. abaixo de fevereiro, mas 4,4 p.p. acima de março do ano anterior.
  • Entre as modalidades, o rotativo do cartão de crédito atingiu 428,3% ao ano e o parcelamento no cartão, 192,1% ao ano; o rotativo caiu em relação ao ano passado, enquanto o parcelamento subiu 9,4 p.p. em doze meses.

O custo do crédito no Brasil atingiu patamares não vistos desde 2016-2017. Dados do Banco Central mostram que a taxa média de juros das concessões ficou em 33,1% ao ano em março, ante 32,9% em fevereiro. A alta é de 0,2 ponto percentual na comparação mensal e de 1,9 p.p. frente a março do ano passado.

Entre as pessoas físicas, a taxa média foi de 38,4% ao ano em março, maior que a de março de 2024 em 2,8 p.p. e mais elevada desde março de 2017, quando atingiu 40,6%. A inadimplência física ficou em 7,0% em março, estável frente a fevereiro, mas entre os mais altos desde 2012.

A taxa média de inadimplência e o custo de recursos refletem o ambiente de crédito. Analistas destacam que bancos públicos intensificaram concessões e linhas patrocinadas pelo governo devem ajudar a amortecer o ciclo de aperto de crédito antes das eleições de 2026.

Estruturas de crédito e impactos

Para operações com recursos livres, a taxa média ficou em 48,3% ao ano em março, apenas 0,1 p.p. abaixo de fevereiro, mas 4,4 p.p. acima de um ano antes. Os patamares não eram vistos desde outubro de 2017.

No crédito voltado a pessoas físicas, a taxa média atingiu 61,5% ao ano, com queda de 0,4 p.p. frente a fevereiro, mas avanço de 4,7 p.p. em 12 meses. Entre as modalidades, o rotativo do cartão chegou a 428,3% ao ano e o parcelamento, 192,1%.

Os números indicam aperto adicional no custo do crédito para consumidores, com variações relevantes por tipo de operação e canal. Observa-se ainda que as políticas de apoio governamental mantêm espaço para amortecer impactos no curto prazo.

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