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Endividamento das famílias brasileiras chega a quase 50%

Endividamento de famílias chega a 49,9%, com 29,7% da renda comprometida; 10,6% vão apenas para juros, enquanto crédito é usado em despesas diárias

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  • Em fevereiro, 49,9% dos núcleos familiares tinham algum débito, recorde histórico.
  • A renda comprometida com dívidas atingiu 29,7%, quase um terço dos vencimentos.
  • Do total, 10,6% da renda foi para pagamento de juros e 19% para quitar o principal.
  • Juros do cartão de crédito chegam a mais de 400% ao ano, e uso diário de crédito amplia o endividamento.
  • Medidas como o programa Desenrola e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não freiam o problema; uso de dinheiro extra tende a ir para quitar dívidas existentes.

O Banco Central divulgou dados nesta segunda-feira (27) que indicam endividamento em patamar recorde entre as famílias brasileiras. O Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito aponta que 49,9% dos núcleos familiares tinham algum tipo de dívida em fevereiro, o maior índice da série histórica. O cenário ocorre no contexto de altas taxas de juros no país.

Segundo a análise, a renda familiar comprometida chegou a 29,7%, o que significa que quase um terço dos vencimentos é destinado ao pagamento de dívidas. Do total, 10,6% da renda fica apenas para pagar juros, enquanto 19% é direcionado ao valor principal contratado. O crédito tem papel central nesse cenário.

A prática de uso do crédito para despesas básicas preocupa especialistas. A taxa de juros do cartão de crédito costuma exceder 400% ao ano, o que acelera a trajetória de endividamento. Além disso, houve mudança no comportamento do consumidor, com uso maior do cartão para despesas do dia a dia e não apenas para compras de maior valor.

Impacto no orçamento

Entretanto, não há sinal de alívio imediato: as medidas públicas, como o programa Desenrola e a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até 5 mil reais, não teriam evitado o acúmulo de dívidas segundo analistas. Parte do dinheiro extra não é destinada ao consumo, mas ao pagamento de obrigações já contraídas.

O analista de economia da CNN, Victor Irajá, ressalta que a taxa de juros elevada, aliada a uma inflação que pode permanecer acima da meta, agrava o aperto financeiro. A taxa básica de juros está em 14,75% ao ano, o que dificulta renegociações mais simples e aumenta a facilidade de acesso a crédito como cheque especial e cartão.

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