- O mercado livre de energia no Brasil já soma mais de 85 mil unidades consumidoras, com crescimento de 32% em 12 meses, e mais de 40% da eletricidade consumida está contratada nesse ambiente.
- 93% das migrações recentes são de consumidores com demanda inferior a 0,5 megawatt, indicando entrada de pequenos negócios no sistema.
- O perfil do consumidor mudou: antes era a grande indústria; hoje entram pequenos negócios como supermercados e padarias, com despesas mensais entre 5 mil e 10 mil reais.
- Os ganhos do mercado livre não estão apenas no desconto; tarifas subiram entre 8% e 12% nos últimos anos, e o principal benefício é a previsibilidade e a gestão de risco.
- A energia precisa ser tratada como variável estratégica, com instrumentos que reduzem a exposição a oscilações e aumentam a estabilidade de longo prazo, mas há entraves institucionais devido à falta de coordenação regulatória e planejamento.
O segundo painel do VEJA Fórum de Energia 2026, realizado nesta segunda-feira (27), em São Paulo, discutiu a abertura do mercado de energia e seus impactos para consumidores e empresas. O evento, promovido por VEJA e VEJA NEGÓCIOS, reuniu autoridades e executivos para debater previsibilidade, competitividade e transição setorial.
Dados apresentados pelo executivo Gustavo Cintra, do BTG Pactual, indicam começo de transformação estrutural no consumo de energia. Hoje, o mercado livre soma mais de 85 mil unidades consumidoras, com crescimento de 32% em 12 meses. Mais de 40% da eletricidade no país já é contratada nesse ambiente.
Perfil dos consumidores no mercado livre tem se alterado: 93% das migrações recentes são de demanda inferior a 0,5 megawatt, abrindo espaço para pequenas empresas. Cintra aponta que o próximo estágio envolve o consumidor final, com despesas mensais entre 5 mil e 10 mil reais, diferente do padrão anterior do setor.
Entorno regulatório e desafios de implantação
A expansão do mercado livre é acompanhada por percepções de entraves institucionais para o setor. Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro no Brasil, destacou a falta de coordenação regulatória e de planejamento de longo prazo como fatores que elevam o custo ao consumidor.
Baranov criticou a multiplicidade de interesses no país, que dificulta uma política energética estável. Segundo ele, a ausência de diretrizes claras cria incerteza para investimentos e gera hesitação na prática de giro de capital. A empresa já investiu bilhões em geração própria e descarbonização, mas a instabilidade pesa na decisão de novos aportes.
O executivo reforçou que, para o Brasil, o maior desafio não é a disponibilidade de recursos, mas a definição coletiva sobre o que se quer para o setor de energia. Sem planejamento estratégico, a maturidade do mercado fica comprometida e o crescimento fica retardado.
O tema também surge em um contexto de pressão de preços, desafios regulatórios e incertezas globais, aumentando a demanda por instrumentos que protejam custos e ampliem o planejamento de longo prazo para empresas consumidoras.
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