- O CEO da Athon Energia, Daniel Maia, afirma que o Brasil carece de planejamento de Estado, o que reduz a previsibilidade para investimentos no setor elétrico.
- Maia diz que investimentos em energia renovável dependem de visão de longo prazo, pois o ritmo de decisão das empresas é mais lento, levando cerca de um semestre para decidir.
- A demanda por energia deve crescer de forma robusta: data centers podem elevar o consumo em 10% e carros elétricos em 20% a 30%, com a demanda nacional podendo praticamente dobrar nos próximos dez anos.
- É improvável que o aumento seja atendido apenas por hidrelétricas; fontes renováveis intermitentes ganham protagonismo, exigindo soluções de armazenamento como baterias.
- Para enfrentar o desafio, Maia aponta uma tríade de tecnologias: ampliar usinas térmicas, hidrelétricas e sistemas de armazenamento, em meio à volatilidade geopolítica que complica planos atuais e sugere planos alternativos.
O setor elétrico brasileiro enfrenta dificuldades para manter investimentos, apontam especialistas. O principal entrave é a falta de previsibilidade, segundo o CEO da Athon Energia, Daniel Maia. Ele participou do Fórum VEJA de Energia, em São Paulo, na segunda-feira, 27 de abril de 2026.
Maia ressaltou que decisões de investimento no setor dependem de planejamento de longo prazo, diferente de trajetórias de fundos e ações. Segundo ele, o ritmo de uma empresa de energia renovável é mais lento, levando meses para confirmar um projeto.
A demanda por energia no país deve crescer mesmo diante de turbulências geopolíticas. Maia estima que data centers e carros elétricos possam elevar o consumo entre 10% e 30%, respectivamente, com a demanda anual podendo quase dobrar nos próximos 10 anos.
Perspectivas para o setor
A demanda futura tende a ser atendida principalmente por fontes renováveis intermitentes, não apenas por hidrelétricas. A energia hidrelétrica perde relevância relativa, enquanto solar e eólica ganham protagonismo pela competitividade. O uso de baterias ganha importância para armazenar excedentes.
Para suprir o crescimento, Maia apontou uma tríade de tecnologias: usinas termelétricas, hidrelétricas estáveis e sistemas de armazenamento, como baterias de larga escala. O contexto geopolítico atual eleva a volatilidade de preços e dificulta o planejamento de prazos e orçamentos.
O executivo citou desafios envolvendo leilões de termelétricas, com volatilidade no preço do petróleo impactando a entrega de energia dentro de prazos. Ele destacou a necessidade de planos alternativos para manter a confiabilidade do sistema elétrico nacional.
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