- Gestores reforçam o monitoramento de obras e dos fluxos de pagamento de CRIs devido ao aumento de inadimplência e renegociação de dívidas de incorporadoras.
- O estoque de CRIs chegou a aproximadamente R$ 260 bilhões neste ano, com recursos antecipados a partir da venda de imóveis; despesas com juros altas e custos de construção pressionam as empresas.
- Casos recentes de inadimplência envolvendo You, Patriani e Ekko ilustram os riscos e a necessidade de soluções rápidas para evitar calotes maiores.
- Ferramentas com Inteligência Artificial são adotadas para automatizar o acompanhamento do fluxo de caixa e da evolução das obras, buscando maior precisão e agilidade.
- Empresas como CUB e Stoc Real Estate oferecem soluções de monitoramento e gestão de crisis, destacando a importância de uma gestão ativa e de entender o fluxo de recursos entre contratos, bancos e incorporadoras.
O mercado de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) ganha atenção de gestores e agentes de mercado diante do aumento de inadimplência e renegociação de dívidas de incorporadoras. As mudançasimpactam o fluxo de pagamentos e o andamento das obras. A prioridade é monitorar canteiros com mais precisão para evitar impactos maiores.
Com o estoque de CRIs chegando a mais de R$ 260 bilhões, os agentes buscam mecanismos de controle mais eficientes. As garantias captam antecipações de recursos de venda de imóveis, mas juros elevados, custos de construção em alta e vendas mais lentas pressionam o equilíbrio financeiro das construtoras.
A preocupação se acentua para gestores de fundos que conectam crédito a projetos de construção. A busca é por soluções rápidas antes que episódios de calote se tornem graves, mantendo a capacidade de honrar dívidas sem contaminação de contas.
Contexto do crédito e riscos
O impacto de custos elevados de financiamento tem levado a ajustes nas obras. Casos recentes de inadimplência, como em projetos da You, Patriani e Ekko, alimentam o temor de eventuais crises de liquidez. A necessidade de monitoramento é emergente para evitar impactos sistêmicos.
O uso de inteligência artificial surge como ferramenta para acompanhar entradas de recursos, andamento de obras e histórico de pagamentos. Executivos ressaltam que o monitoramento próximo é essencial para detectar desvios e acelerar soluções.
IA e novas ferramentas no radar
Gestores investem em plataformas que conectam ERPs, bancos e contratos para automatizar o fluxo de pagamentos com IA. Empresas como a CUB desenvolveram soluções lançadas recentemente, já operando em várias operações de Pátria, Manatí, Opea e Highpar.
Leonardo Gasparin afirma que o mercado imobiliário carece de padronização contratual e de ferramentas para acompanhar o fluxo financeiro a distância. Ele destaca o potencial de mercado com cerca de R$ 1,5 trilhão em recebíveis fora do sistema bancário.
Modelos de reestruturação e serviços
Ricardo Piccinini, figura-chave na Stoc Real Estate, atua na reestruturação de obras paralisadas. A empresa presta serviços de gestão para tentar evitar perdas, trocando construtoras, repactuando dívidas e buscando novas gestões.
Segundo Piccinini, bancos costumam preferir a venda de ativos quando há problema, mas fundos optam por gestão especializada para reduzir riscos de descontos significativos. A Stoc já atuou em projetos da Seed para XP e RBR.
Gestão ativa é apontada como fundamental
Danny Gampel, da Cy Capital, defende uma gestão ativa que vá além do acompanhamento remoto. Ele sustenta que é preciso avaliar a saúde financeira do projeto, o andamento das vendas e a viabilidade do fluxo de caixa para financiamento.
Apesar dos desafios, o executivo ressalta que os problemas são pontuais e não indicam contaminação sistêmica. O mercado, diz, amadureceu com mecanismos de garantia, permitindo ajustes sem comprometer o conjunto de operações.
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