- A guerra no Oriente Médio impacta o custo da aviação no Brasil, mas a demanda permanece aquecida, com o dólar abaixo de R$ 5,00 ajudando a compensar parte do choque.
- O preço das passagens vem subindo desde 2019; o combustível de aviação representa cerca de 30% do gasto das aéreas, e há risco de novos reajustes pela Petrobras.
- O câmbio influencia custos como aluguel e manutenção de aeronaves; a valorização do real ajuda a mitigar parte do aumento provocado pela guerra.
- O governo, por meio do pacote para o setor, oferece ajuda, mas com alcance limitado; o Brasil ficou entre os poucos países que não apoiaram as companhias durante a pandemia.
- As empresas ainda não reduziram projeções e falam em ampliar entre cinco e doze por cento a oferta de assentos; pode haver racionalização de rotas, com menos frequência em trechos curtos e otimização de rotas longas.
A guerra no Oriente Médio está elevando os custos da aviação no Brasil, segundo Alberto Valerio, head de transporte da América Latina e bens de capital do UBS BB. A análise foi feita durante o programa Mercado Aberto, do Canal UOL. O cenário atual acompanha alta do querosene de aviação e variações cambiais.
Valerio destacou que o QAV volta a pressionar as contas das aéreas. Ele aponta que a Petrobras pode repetir reajustes no combustível, que já subiu quase 100% no ano, elevando o peso do QAV no custo das empresas para próxima meta de 30%.
O dólar também impacta aluguel, manutenção e outras despesas dolarizadas. Mesmo com o real valorizado, o câmbio segue como fator determinante para compensar parte dos aumentos provocados pela guerra.
> O câmbio representa cerca de 60% do custo do setor, ressaltou o analista, lembrando que itens como aluguel e combustível são dolarizados. A queda da moeda norte-americana tem ajudado a mitigar parte do choque.
A avaliação sobre o pacote de apoio do governo Lula é de efeito limitado. Valerio lembra que o Brasil não ofereceu auxílio amplo durante a pandemia e cita impactos sobre as distribuidoras, com custos fiscais e financiamento não plenamente aceitos.
No que diz respeito à demanda, não houve revisão de projeções por parte das companhias. Mesmo com incertezas, executivos indicam manter planos de ampliar a oferta de assentos no país, entre 5% e 12%.
> Enquanto o cenário se mantém, há expectativa de mudanças na malha aérea, caso o custo do combustível permaneça alto. A tendência é reduzir frequências em trechos curtos e otimizar rotas mais longas, para economizar combustível.
Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, no UOL, com apresentação de Amanda Klein, trazendo os principais movimentos do mercado.
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