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Ibovespa: fim do auge ou ainda vale investir neste ano?

Ibovespa fecha abaixo de 190 mil pontos com petróleo mais caro pressionando ações; juros elevados devem perdurar, afastando os 200 mil.

O auge do Ibovespa já passou ou ainda vale investir em ações neste ano? — Foto: Getty Images
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  • O Ibovespa fechou abaixo de 190 mil pontos, com queda de 0,6% no dia; no mês é visto em alta de 1,13% e no ano, 17,66%.
  • Goldman Sachs elevou a projeção do Brent para US$ 90 por barril no quarto trimestre, apontando petróleo mais caro até o fim do ano.
  • O dólar à vista ficou em R$ 4,98, recuando 0,3%; no mês cai 3,8% e no ano, 9,23%.
  • Das 83 ações que compõem o Ibovespa, 70 desvalorizaram no pregão, com petróleo mais caro pressionando setores como bancos, varejo, construtoras e ações da Petrobras.
  • O futuro do Ibovespa depende de um acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, o que pode derrubar os preços do petróleo e abrir espaço para cortes de juros; porém há incertezas sobre esse acordo.

O Ibovespa encerrou o dia abaixo de 190 mil pontos, com queda de 0,6%. O índice reduziu a velocidade após ter passado recordes, mas o patamar de 200 mil pontos permanece distante. O mês registra alta de 1,13% e o ano, 17,66%.

O mercado digere a perspectiva de petróleo mais caro até o fim do ano e menor horizon de cortes de juros. Relatórios do Goldman Sachs apontam preço do Brent em alta até o quarto trimestre, elevando o cenário de inflação global.

A principal matriz do temor envolve o impasse entre EUA e Irã. Representantes iranianos apresentaram proposta para desvincular negociações nucleares de Ormuz e do fim da guerra, adiantando que conversas difíceis ocorram mais tarde. O diálogo não teve interlocutor americano em Islamabad.

Essa globalização de fatores sustenta preço do petróleo: o Goldman Sachs elevou a previsão de Brent de US$ 80 para US$ 90 por barril no 4º trimestre. Outras instituições já sinalizavam níveis semelhantes, mantendo pressão sobre juros globais.

O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 14,6 bilhões, 20% abaixo da média recente. O recuo coincide com o desaquecimento de ações mais sensíveis a juros, como bancos, varejo e construção civil, diante da sinalização de juros altos por mais tempo.

O dólar à vista caiu 0,3% frente ao real, para R$ 4,98. O desempenho cambial ajuda a entender a direção de fluxos no mercado local, com queda mensal de 3,8% e recuo de 9,23% no ano.

Para o Ibovespa, o apoio dos preços do petróleo ficou mais fraco, e a correção ganhou força. Petroleiras perderam o fôlego, e a relação entre petróleo e bancos ficou desalinhada em relação ao início do ano.

Das 83 ações que compõem o índice, 70 apresentaram desvalorização no dia. O cenário sugere que a alta recente tinha fundamentos mais locais, como commodity, do que força macro de risco.

Cenários para o futuro do Ibovespa

Para recuperar os recordes, duas vias aparecem: acordo entre EUA e Irã que reabra Ormuz, derrubando o petróleo, ou recuperação de lucros domésticos com inflação sob controle e cortes de juros. O segundo caminho não parece claro diante das projeções atuais.

As taxas de Depósito Interfinanceiro indicam expectativa de Selic mais alta por mais tempo, com prêmio maior em prazos curtos. Compromissos de juros longos apontam maior preocupação com solvência fiscal.

Aos agentes, resta observar se o acordo diplomático entre EUA e Irã ocorrerá de fato ou se o mercado seguirá diante de incertezas geopolíticas. O cenário permanece incerto, sem confirmação de trégua duradoura.

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