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Juçara vira opção econômica na Mata Atlântica

Projeto no Paraná transforma a juçara em aposta de bioeconomia, gerando renda a agricultores e promovendo a conservação da Mata Atlântica

Fruto da Jucara (Foto: Gabriel March)
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  • Projeto Paisagens Multifuncionais, da SPVS e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, busca uso sustentável da juçara (Euterpe edulis) para gerar renda no litoral paranaense.
  • A estratégia é cultivar a palmeira em sistemas agroflorestais, mantendo a floresta em pé e beneficiando pequenos agricultores.
  • A juçara tem aplicação na gastronomia e em bebidas, com uso em pães, bolos, molhos e drinks; em Antonina, a fruta também aparece em balas de banana.
  • Econômica: o corte ilegal rende cerca de R$ 10 por extrativista, enquanto a polpa pode chegar a R$ 40 por quilo; o manejo sustentável permite exploração por décadas.
  • O projeto inclui uma cozinha laboratório em Antonina e mobiliza R$ 110 milhões em dez anos, para transformar passivos ambientais em conservação ativa.

A palmeira juçara, símbolo da Mata Atlântica no Paraná, passa de alvo de exploração ilegal a protagonista de uma bioeconomia local. O projeto Paisagens Multifuncionais, conduzido pela SPVS e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, busca uso sustentável do fruto da espécie Euterpe edulis.

A iniciativa atua no litoral paranaense, promovendo cultivo em sistemas agroflorestais. A meta é gerar renda para pequenos agricultores, ao mesmo tempo em que a floresta permanece em pé, reduzindo impactos da extração de palmito.

O movimento conta com acompanhamento técnico de especialistas da SPVS, que orientam produtores e catalogam resultados para ampliar a escala do modelo em outros municípios.

Do drink sofisticado à bala de banana

A juçara tem sido incorporada à gastronomia e à mixologia. Em bares, o fruto aparece em drinks com notas de taninos e acidez similares às de vinhos, segundo o barista Léo Oliva.

Em Antonina, a Bananina de Maristela Mendes desenvolveu uma versão de balas de banana que utiliza a fruta, elevando o valor agregado para comunidades locais e fortalecendo a cadeia produtiva.

O lucro da preservação

Dados do projeto mostram que manter a palmeira viva gera ganhos competitivos. O extrativismo ilegal rende cerca de R$ 10 por unidade, enquanto a polpa processada pode alcançar R$ 40 por quilo.

Phablo Bittencourt, do Instituto Juçara, ressalta que o manejo sustentável permite exploração por décadas, com maior rentabilidade que o mercado ilegal. Antonio Ozaki, o Tiba, da ASPRAN, destaca o pioneirismo do trabalho no estado.

Para apoiar esse avanço, foi instalada em Antonina uma cozinha laboratório para estudos e treinamentos, considerado essencial pela agroflorestora Rayen Mourão para profissionalizar o manejo de alimentos nativos.

O projeto está inserido em um investimento de R$ 110 milhões ao longo de dez anos, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, com recursos provenientes de um acordo judicial que transforma passivos ambientais em conservação ativa.

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