- Projeto Paisagens Multifuncionais, da SPVS e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, busca uso sustentável da juçara (Euterpe edulis) para gerar renda no litoral paranaense.
- A estratégia é cultivar a palmeira em sistemas agroflorestais, mantendo a floresta em pé e beneficiando pequenos agricultores.
- A juçara tem aplicação na gastronomia e em bebidas, com uso em pães, bolos, molhos e drinks; em Antonina, a fruta também aparece em balas de banana.
- Econômica: o corte ilegal rende cerca de R$ 10 por extrativista, enquanto a polpa pode chegar a R$ 40 por quilo; o manejo sustentável permite exploração por décadas.
- O projeto inclui uma cozinha laboratório em Antonina e mobiliza R$ 110 milhões em dez anos, para transformar passivos ambientais em conservação ativa.
A palmeira juçara, símbolo da Mata Atlântica no Paraná, passa de alvo de exploração ilegal a protagonista de uma bioeconomia local. O projeto Paisagens Multifuncionais, conduzido pela SPVS e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, busca uso sustentável do fruto da espécie Euterpe edulis.
A iniciativa atua no litoral paranaense, promovendo cultivo em sistemas agroflorestais. A meta é gerar renda para pequenos agricultores, ao mesmo tempo em que a floresta permanece em pé, reduzindo impactos da extração de palmito.
O movimento conta com acompanhamento técnico de especialistas da SPVS, que orientam produtores e catalogam resultados para ampliar a escala do modelo em outros municípios.
Do drink sofisticado à bala de banana
A juçara tem sido incorporada à gastronomia e à mixologia. Em bares, o fruto aparece em drinks com notas de taninos e acidez similares às de vinhos, segundo o barista Léo Oliva.
Em Antonina, a Bananina de Maristela Mendes desenvolveu uma versão de balas de banana que utiliza a fruta, elevando o valor agregado para comunidades locais e fortalecendo a cadeia produtiva.
O lucro da preservação
Dados do projeto mostram que manter a palmeira viva gera ganhos competitivos. O extrativismo ilegal rende cerca de R$ 10 por unidade, enquanto a polpa processada pode alcançar R$ 40 por quilo.
Phablo Bittencourt, do Instituto Juçara, ressalta que o manejo sustentável permite exploração por décadas, com maior rentabilidade que o mercado ilegal. Antonio Ozaki, o Tiba, da ASPRAN, destaca o pioneirismo do trabalho no estado.
Para apoiar esse avanço, foi instalada em Antonina uma cozinha laboratório para estudos e treinamentos, considerado essencial pela agroflorestora Rayen Mourão para profissionalizar o manejo de alimentos nativos.
O projeto está inserido em um investimento de R$ 110 milhões ao longo de dez anos, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, com recursos provenientes de um acordo judicial que transforma passivos ambientais em conservação ativa.
Entre na conversa da comunidade