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Mercado mantém aposta em queda do petróleo após dois meses de guerra

Mercado mantém expectativa de queda do petróleo, mas patamares elevados indicam risco de inflação e custos maiores para empresas se prolongarem

Preços do petróleo — Foto: Gettyimages
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  • A guerra entre Estados Unidos e Irã completa dois meses e, embora haja expectativa de queda futura, o petróleo segue em patamar alto e o mercado aposta em recuperação gradual, não retorno aos níveis pré-guerra.
  • Brent com vencimento em dezembro de 2026 está em US$ 84,81; no início do conflito era US$ 68,64; o contrato para junho fica acima de US$ 105, antes era US$ 72,29.
  • WTI com vencimento em dezembro de 2026 fica em torno de US$ 77,48; início de março, US$ 63,73; a negociação para junho está na casa dos US$ 94, antes US$ 66,56.
  • A leitura dos contratos de junho indica expectativa de que o conflito dure mais; já os preços de dezembro sugerem um pessimismo maior com o tempo, segundo analistas.
  • O aumento do preço do petróleo pode elevar inflação e custos para empresas, impactando crédito, consumo e decisões de investimento; há visão de que o mercado pode levar tempo para se normalizar.

A guerra entre Estados Unidos e Irã completa dois meses nesta terça-feira, 28. O conflito mantém o petróleo em patamares elevados, apesar da aposta de que os preços podem recuar no médio prazo. O mercado opera com a expectativa de que o fim da crise ainda pode demorar.

O Brent para dezembro de 2026 está em US$ 84,81 o barril, ante US$ 68,64 no início do conflito. O contrato de junho supera os US$ 105. Já o WTI para dezembro de 2026 fica próximo de US$ 77,48, com junho na casa dos US$ 94. Em março, os valores eram menores, próximos a US$ 63,73 para WTI e US$ 72,29 para Brent.

O avanço dos preços indica que investidores projetam dificuldade de resolução rápida do conflito e da abertura do Estreito de Ormuz. Em contrapartida, o mercado pode ter demonstrado pessimismo maior para o longo prazo, com quedas anteriores ao surgirem sinais de cessar-fogo.

Especialistas divergem sobre a velocidade da normalização. Alexandre Espírito Santo, da Way Investimentos, afirma que o patamar neutro deve ficar mais alto, citando atrasos logísticos e de abastecimento. O cenário atual tende a barris mais caros por meses.

Bruno Cordeiro, da Stonex, acrescenta que estoques em regiões como Ásia e Europa devem ser usados para manter o abastecimento, elevando a pressão sobre preços. O início do conflito elevou o risco de cortes de oferta e custos de logística global.

Gabriel Mollo, da Daycoval, aponta que os preços para novembro refletem o consenso do petróleo pós-guerra. Ele acredita que o conflito não deve perdurar até o próximo ano, citando pressão política nos EUA para um desfecho mais rápido.

Há visões de que a curva de preços ainda reflete apostas de normalização gradual. Sérgio Rebêlo, da FactorK, sugere que choques geopolíticos costumam provocar alta imediata, com horizontes mais longos buscando equilíbrio entre oferta e demanda.

Contudo, Rebêlo ressalta riscos de desequilíbrio físico, com estoques consumidos rapidamente e reposição dificultada no curto prazo. A diferença entre preços imediatos e futuros pode indicar chegadas de restrições de oferta aliadas a demandas ainda elevadas.

Para o mercado, a alta recente do barril pode pressionar cadeias de custos. Como o petróleo influencia gasolina, diesel e transporte, empresas podem enfrentar reajustes, contribuindo para pressões inflacionárias e impactos em decisões de crédito e investimento.

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