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Mulheres ganham 21,3% menos que homens, mesmo com alta participação no mercado

Mulheres ganham 21,3% a menos do que homens em empresas com 100 ou mais empregados, com médias de R$ 3.965,94 contra R$ 5.039,68

— Foto: Rogério Vieiora/Valor
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  • Mulheres ganham 21,3% a menos que homens em empresas com 100 ou mais empregados, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios do Ministério do Trabalho e Emprego.
  • Remuneração média: mulheres R$ 3.965,94; homens R$ 5.039,68; mulheres negras recebem R$ 3.026,66; homens negros recebem R$ 3.875,52.
  • Participação feminina no mercado de trabalho cresceu 11%, de 7,2 milhões para 8 milhões; entre mulheres negras, o crescimento foi de 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
  • Houve maior oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%), auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%), licenças estendidas (maternidade e paternidade) e planos de cargos e salários; enfatiza-se aumento de empresas que promovem mulheres (de 38,8% para 48,7%).
  • Lei nº 14.611, de 3 de julho de 2023, reforça a igualdade salarial e exige que empresas com 100+ empregados adotem medidas de transparência, fiscalização, canais de denúncia e programas de diversidade e inclusão.

Mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas com 100 empregados ou mais, aponta o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (27) pelo órgão.

Conforme o relatório, a remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, frente a R$ 5.039,68 dos homens. Desagregação por raça mostra que mulheres negras ganham, em média, R$ 3.026,66, enquanto as não negras recebem R$ 5.039,68. Entre homens, negros recebem R$ 3.875,52 e não negros, R$ 6.560,02.

Segundo o Ministério, a desigualdade salarial de gênero aumentou nos últimos anos, mas permanece estável do ponto de vista estatístico. Em 2023, a diferença era de 13,7% no salário de contratação e passou para 14,3%. No rendimento médio, a diferença subiu de 19,4% para 21,3%.

A participação feminina no mercado de trabalho cresceu 11% no mesmo período, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, um ganho de 800 mil pessoas. Entre mulheres negras, o avanço foi de 29%, com 4,2 milhões de ocupadas, ante 3,2 milhões anteriormente.

O relatório aponta ainda avanços em políticas de trabalho: maior oferta de jornada flexível (40,6% para 53,9%), auxílio-creche (22,9% para 38,4%), licenças-maternidade e paternidade estendidas (20% para 29,9%), planos de cargos e salários (55,5% para 66,8%) e metas de produção (63,8% para 75,7%). A parcela de empresas que afirmam promover mulheres cresceu de 38,8% para 48,7%.

Quadro normativo e fiscalização

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei nº 14.611 reforça a igualdade salarial e determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas para assegurar essa igualdade. Entre as obrigações estão a promoção da transparência salarial, a fiscalização contra discriminação, canais de denúncia, programas de diversidade e inclusão e apoio à capacitação de mulheres.

O Ministério do Trabalho e Emprego destaca que o relatório reforça o monitoramento público sobre remuneração e favorece ações para reduzir as brechas salariais. A divulgação ocorre em meio a debates sobre produtividade, meritocracia e políticas de conciliação entre vida profissional e familiar.

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