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Tarifa zero pode substituir vale-transporte, elevando custo a 95% das empresas

Contribuição sobre a folha substituiria o vale‑transporte para tarifa zero, mas elevando custo para 95% das empresas; alíquotas de 0,5% a 13,7% conforme cidade

Contribuição sobre a folha de pagamento poderia substituir o vale-transporte e financiar política de tarifa zero no Brasil, mas o custo aumentaria para 95% das empresas, segundo estudo do Ipea
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  • Estudo do Ipea aponta que substituir o vale-transporte por uma contribuição sobre a folha para financiar a tarifa zero aumentaria o custo para 95% das empresas.
  • Em 12 capitais analisadas, alíquota entre pouco mais de 0,5% e 1% da folha de pagamento cobraria o subsídio atual; para reduzir a tarifa pela metade seriam 1,7% a 2,6%; para tarifa zero, 2,4% a 8,5%, podendo chegar a 13,7% em Belém.
  • O vale-transporte atendia 1,09 milhão de trabalhadores formais nas 12 capitais em 2024, cerca de 9,5% do total; o estudo estima subutilização desses dados nas bases oficiais.
  • O custo por empresa subiría de cerca de R$ 60 para entre R$ 1.100 e R$ 1.300 (em média), ou até R$ 2.710 a R$ 3.200 no cenário de tarifa zero; pode haver repasse aos empregados.
  • Desafios incluem mudança na Constituição, coordenação entre municípios, desenho regulatório, risco de aumento da informalidade e pejotização, e necessidade de integração metropolitana.

O estudo do Ipea analisa a possibilidade de substituir o vale-transporte pela Contribuição Social para o Transporte Público Urbano (CTPU), financiando uma tarifa zero no Brasil. A pesquisa abrange 12 capitais: Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo.

A ideia envolve substituir o vale-transporte por uma cobrança na folha de pagamento. O objetivo é reduzir pela metade a tarifa, ou torná-la gratuita, mediante alíquotas sobre a folha. A viabilidade depende de mudanças constitucionais e coordenação entre níveis de governo.

A pesquisa aponta que o vale-transporte formaliza 1,09 milhão de trabalhadores nas 12 capitais em 2024, representando 9,5% do total de formais. Os números podem subestimar a presença do benefício nas bases oficiais.

Como funcionaria a cobrança

Pelas regras atuais, o empregado paga até 6% do salário básico para viagens, e a empresa cobre o que excede esse teto. A proposta de cobrança por folha exigiria mudança constitucional e adesão de municípios, com coordenação federativa.

Para cobrir metade da tarifa, seria necessária uma alíquota entre 1,7% e 2,6% da folha. Se a tarifa for totalmente gratuita, a faixa ficaria entre 2,4% e 8,5%, podendo alcançar 13,7% em Belém, onde não há subsídio municipal.

Estima-se que cerca de 70% dos trabalhadores que recebem vale-transporte (aproximadamente 566 mil) seriam impactados pela substituição com redução de 50% no gasto com transporte, de R$ 79 para R$ 48 mensais.

Custos para as empresas e efeitos esperados

As empresas teriam aumento de despesas: para 95% dos estabelecimentos, o custo com transporte subiria de R$ 60 para entre R$ 1.100 e R$ 1.300 por mês, equivalentes a 1,8% a 2,1% da folha.

No cenário de tarifa zero, o custo mensal por empresa chegaria a R$ 2.710, ou 4,37% da folha, podendo chegar a R$ 3.200 em maior demanda.

O estudo destaca que o custo recairia sobre empregadores, mesmo com substituição do vale, com impactos possivelmente repassados aos trabalhadores a médio e longo prazo.

Desafios de implementação e impactos sociais

A implementação exigiria desenho institucional, integração metropolitana e revisão de contratos de concessão com regras transparentes. Há risco de competição fiscal entre municípios se a cobrança for adotada de forma isolada.

O estudo também aponta que o aumento de encargos pode elevar a informalidade e a pejotização. A manutenção da sustentabilidade no longo prazo dependeria de ajustes na base de arrecadação e de políticas complementares.

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