- A temporada de balanços do 1º tri de 2026 deve confirmar liderança de bancos e petroleiras, com impacto positivo para energia e financeiro diante da alta dos juros e da commodity.
- Bancos devem manter resultados fortes, favorecidos pela Selic elevada; Itaú BBA projeta margens robustas e controle da inadimplência; XP destaca Bradesco como destaque.
- Banco do Brasil é visto com mais cautela, com expectativas de trimestre mais fraco e pressões sobre crédito e ROE.
- Empresas do setor de energia devem se beneficiar da alta do petróleo, com Petrobras, Prio e distribuidoras como Vibra e Ultrapar previstas a apresentarem crescimentos.
- Varejo e agronegócio aparecem como destaques negativos entre analistas, pressionados por endividamento das famílias, queda de consumo e custos elevados, possivelmente ampliando a pressão sobre margens.
A temporada de balanços do 1º tri de 2026 deve ganhar fôlego nesta semana, com resultados esperados de Vale, Santander e outras grandes empresas. Analistas veem desempenhos distintos entre setores, influenciados pela Selic elevada e pelo conflito no Oriente Médio.
Bancos e energia aparecem como destaques positivos. Instituições como Itaú Unibanco, XP e Banco Safra apontam para bancos fortes, com margens robustas e inadimplência sob controle, e para o setor de energia, favorecido pela alta do petróleo.
A Selic em 14,75% agrega complexidade ao varejo e ao agronegócio, que devem enfrentar mudanças no comportamento do consumidor e custos maiores de insumos. O cenário político conturbado também pesa sobre a confiança nessas áreas.
Para o Itaú BBA, o setor bancário deve manter o tom de pilares do mercado, com resultados sólidos neste trimestre. A XP aposta no Bradesco, que pode apresentar recuperação ao longo do trimestre. O Banco do Brasil recebe cautela, com projeções de desempenho mais fraco.
No último trimestre de 2025, o lucro do Banco do Brasil recuou 40% na comparação anual, para R$ 5,7 bilhões, impactado pela inadimplência de produtores rurais e recuperações judiciais. O desempenho do BB é visto como em geral menos favorável neste começo de 2026.
O período deve ainda favorecer empresas do setor de energia, especialmente produtoras de petróleo, diante da alta de preços no exterior devido ao conflito com o Irã. Desde o início do conflito, o petróleo subiu cerca de 40%.
As carteiras de grandes distribuidoras, como Vibra e Ultrapar, devem ser beneficiadas pela continuidade da estrutura de preços favorável no mercado interno. A XP aponta que a diferença entre preços domésticos e a paridade de importação sustenta essa vantagem.
O Safra reforça a visão de melhora nas distribuidoras, citando ambiente regulatório estável e preços favoráveis. O setor também passou por reorganização recente após operações contra fraudes envolvendo redes de combustíveis realizadas em 2025.
Varejo e agronegócio devem permanecer sob pressão
Analistas destacam o varejo entre os destaques negativos do trimestre. O endividamento das famílias brasileiras e o efeito do trade down devem pressionar margens e volumes, segundo o Safra.
O Itaú ressalta que varejistas como Azzedine, Grupo Mateus e Natura enfrentam desafios de vendas e rentabilidade, com desempenho abaixo da inflação. A recomendação é de cautela para esse grupo de empresas.
No agronegócio, a Selic elevada tende a reduzir a rentabilidade da produção rural e aumenta a aversão a crédito para operações no campo. O Focus projeta a Selic em tendência de queda apenas ao fim do ano, mas ainda acima de patamares históricos.
O conflito no Oriente Médio também acrescenta pressão sobre insumos agrícolas. O Itaú aponta que conflitos geopolíticos elevam o custo de fertilizantes nitrogenados, o que pode impactar a próxima safra, dependendo da evolução do cenário internacional.
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