- Apostas online drenaram R$ 143 bilhões do varejo brasileiro nos últimos dois anos, cerca de 2,5% do faturamento do setor, segundo a CNC.
- O estudo afirma que as bets reduziram a qualidade do endividamento, aumentando o tempo de pagamento das dívidas e a inadimplência severa, mesmo com melhora no mercado de trabalho.
- A CNC diz ter usado o método Diferenças em Diferenças para isolar o efeito e sustenta que as apostas afetam mais as famílias vulneráveis, funcionando como substituto de outras dívidas para os mais ricos.
- A Associação Nacional de Jogos e Loterias contesta os números, alegando que há divergência com dados oficiais e que o endividamento é estrutural; cita dados da Pay4Fun e estudo da LCA que apontam gastos médios baixos e participação modesta no consumo.
- A CNC defende medidas como restrição de marketing, campanhas de educação financeira e inclusão da exposição a bets nas análises de risco de crédito.
Apostas online elevaram o endividamento de famílias brasileiras e drenaram cerca de R$ 143 bilhões do varejo nos últimos dois anos. O estudo, elaborado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), considera o período antes e depois da regularização das bets no Brasil. A queda do impacto não foi em número de endividados, mas no tempo de atraso e na inadimplência severa.
Segundo a CNC, o efeito está associado a maior inadimplência em um cenário de melhora do mercado de trabalho, o que reforça a hipótese de relação causal entre as apostas online e o endividamento. A entidade utiliza o método estatístico Diferenças em Diferenças para identificar esse efeito.
A CNC aponta que as betas atingem principalmente famílias mais vulneráveis, com aumento do endividamento total, enquanto fatias mais favorecidas da população teriam a aposta como substituto de outras dívidas. Entre os mais afetados, homens com mais de 35 anos e maior escolaridade.
Controvérsia entre CNC e ANJL
A ANJL, associação que representa o setor, contesta os números da CNC, alegando que o endividamento é problema histórico ligado ao custo do crédito, aos juros elevados e à pressão do custo de vida. A entidade afirma que recortes amostrais não substituem dados oficiais nem evidenciam relação causal direta.
A associação cita dados de fontes independentes para sustentar seu posicionamento. Relatos de consumidores indicam gasto mensal baixo entre a maioria dos apostadores, e estudos indicam que os gastos com apostas representam parcela pequena do consumo familiar.
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