- Firozabad, cidade no estado de Uttar Pradesh, fabrica 70% do vidro do país e emprega cerca de 150 mil pessoas em clusters de pequeno e médio porte.
- A indústria depende de gás natural; tensões no Oriente Médio e o estreito de Hormuz tornam o fornecimento incerto e elevam os custos, agravados pela redução de 20% no gás comercial pelo governo.
- Para economizar, fábricas mantêm fornos em temperaturas mais baixas e param a produção por três a quatro dias, gerando quedas na produção e perdas de 25% a 40% para alguns produtores.
- Custos de matérias-primas subiram devido a interrupções no abastecimento de combustível e importações, prejudicando exportações de itens de vidro, especialmente para os Estados Unidos.
- O governo diz que atua para manter o fornecimento estável, mas especialistas alertam que unidades menores não conseguem enfrentar a crise; projeções da ONU apontam risco de pobreza para milhões e os trabalhadores lutam com aumenta de custo de vida.
O conflito no Oriente Médio continua a provocar impactos econômicos fora da região. Em Firozabad, cidade da região de Uttar Pradesh, o setor de vidro enfrenta queda de produção devido à instabilidade no fornecimento de gás.
Localizada a cerca de 50 km do Taj Mahal, Firozabad domina a fabricação de vidro, respondendo por cerca de 70% do vidro produzido na Índia. Milhares de fábricas pequenas e médias sustentam a indústria local.
A comissão de gás reduzida vem pressionando todas as etapas da cadeia produtiva. A produção de vidro depende de fornos que operam a altas temperaturas, e interrupções elevam custos e reduzem horas de trabalho.
Alterações na oferta de gás
O principal problema é a incerteza no abastecimento proveniente do Oriente Médio, com foco nas interrupções ligadas ao Estreito de Hormuz. Embora algumas remessas tenham voltado, os empresários dizem que os efeitos ainda não chegaram ao bolso do empresário.
Sanjay Jain, empreendedor de uma unidade de pulseiras de vidro, relata queda acentuada na produção após o governo cortar o gás comercial em 20% para conter a escassez. O reaparecimento dos fornos requer tempo e alto custo.
Para contornar a situação, Jain mantém os fornos ligados em temperaturas mais baixas e suspende a produção por três a quatro dias para racionar o gás. A prática reduz o rendimento das fábricas.
A vulnerabilidade é maior em cidades com forte participação do gás na indústria, transporte e consumo doméstico. Em Firozabad, isso se reflete na fragilidade de cerca de 400 clusters que produzem itens variados.
A produção local abrange itens que vão de lentes de faróis a lustres, alimentando um mercado doméstico avaliado em mais de 200 milhões de dólares. Alguns empresários registram perdas de até 40%.
Impacto em custos e mercados
Especialistas apontam que a situação é agravada por custos com matérias-primas químicas usadas para derreter o vidro, muitas vindas de dentro do país e parte importada do Oriente Médio. A elevação de custos pressiona margens.
Segundo Mukesh Bansal, da Federação All India Glass Manufacturers, as perdas já passam de 45% desde o início do conflito. A combinação de gás escasso e custos maiores de insumos piora o quadro para indústrias menores.
O governo federal disse estar atuando para manter o fornecimento estável de gás e outros derivados, priorizando setores estratégicos. Mas a visão de especialistas é de que medidas de curto prazo não resolvem a longo prazo.
Economistas afirmam que, para unidades micro e pequenas, a continuidade é inviável se a crise persistir. O risco é de fechamento ou redução significativa da produção.
A Organização das Nações Unidas alerta que o conflito pode empurrar até 2,5 milhões de pessoas na Índia para a pobreza. Em Firozabad, trabalhadores já enfrentam custo de vida maior aliado à instabilidade.
O governo afirma que tem realizado reuniões regulares para gerenciar impactos e manter suprimentos de petróleo e gás de cozinha. A ideia é proteger setores como farmacêuticos, aço, automóveis e agricultura.
Ao longo deste mês, trabalhadores de várias fábricas de vidro protestaram pedindo reajuste salarial e melhores condições. Em parte do norte da Índia, as mobilizações se tornaram violentas, levando o governo a anunciar medidas temporárias.
Para quem vive em Firozabad, a incerteza continua. Umesh Babu, que trabalha há anos em um galpão aberto, descreve a realidade de fornos a 1000 °C e o temor de perder o emprego caso o abastecimento não retorne ao normal.
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