- O programa Desenrola oferece alívio imediato para quem está com dívidas, mas não resolve as causas profundas do endividamento.
- O pesquisador Kauê Lopes dos Santos, da Unicamp, afirma que o Desenrola 2.0 ampliou o acesso à renegociação, mas muitos brasileiros voltaram a ficar inadimplentes meses após a primeira edição.
- Segundo o professor, o efeito é principalmente pontual e pode haver novos inadimplentes meses depois da implementação.
- Ele diz que a educação financeira é importante, mas não resolve o problema estrutural, citando crédito caro, publicidade e obsolescência programada como fatores que mantêm o ciclo.
- O especialista destaca que a responsabilidade não deve recair apenas sobre o consumidor; instituições que cobram juros altos também precisam ser analisadas.
O programa Desenrola traz alívio imediato para quem está com dívidas, mas não resolve as causas profundas do endividamento no país, aponta Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp. Em entrevista ao Poder e Mercado, do Canal UOL, ele explica que a edição 2.0 ampliou o acesso à renegociação, porém muitos brasileiros voltaram a ficar inadimplentes meses depois.
Segundo o professor, o desafio é estrutural: políticas de curto prazo ajudam, mas não mudam a cultura de consumo e crédito que sustenta o endividamento. Ele cita dados de reincidência de inadimplência após a primeira edição do programa como indicativo de que o problema persiste.
A educação financeira é citada como medida complementar, mas não suficiente para enfrentar o quadro. O especialista ressalta que o crédito caro, a publicidade voltada a consumidores e a obsolescência programada contribuem para o ciclo de dívidas, exigindo ações que vão além da conscientização individual.
Educação financeira não basta
Kauê Lopes dos Santos afirma que a educação financeira ajuda a tornar gastos mais conscientes, inclusive entre classes médias endividadas. Contudo, ele alerta que a responsabilidade não pode recair apenas sobre o consumidor, diante de juros elevados e práticas de oferta de crédito que mantêm o endividamento.
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