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Detalhe no balanço do Assaí frustra mercado

Assaí registra venda fraca e SSS negativa no trimestre, lucro cai, caixa fica negativo; há melhora de margem, mas cenário de consumo continua desafiador

— Foto: Getty Images
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  • As ações do Assaí (ASAI3) caíram forte na bolsa após o release do 1º trimestre, com queda de about 4,7% às 13h20, para R$ 9,13.
  • Vendas em lojas existentes recuaram 0,9% no período, contrariando a expectativa de leve alta; queda de preços em itens básicos (arroz, leite, açúcar e feijão) ajudou a reduzir margens.
  • Demanda permanece fraca entre famílias de menor renda, contribuindo para um consumo em formato de “K”, com compradores de maior renda sustentando parte das vendas.
  • O EBITDA ficou em R$ 1,02 bilhão, ainda que a margem bruta tenha melhorado por maturação de lojas novas e estratégia de preços; créditos tributários não recorrentes inflaram o resultado.
  • Lucro líquido foi de R$ 86 milhões, menor que os R$ 162 milhões de igual periodo no ano anterior; fluxo de caixa operacional após investimentos ficou negativo em R$ 670 milhões; dívida líquida terminou o trimestre em 2,52 vezes o EBITDA, melhoria versus 3,15 vezes há um ano.

O Assaí (ASAI3) teve atuação de suas ações abalada na bolsa nesta terça-feira (28), após a divulgação do balanço do primeiro trimestre. O mercado reagiu com cautela diante de resultados abaixo do esperado em alguns indicadores e sinais de recuperação ainda fragilizada para o consumo doméstico. Por volta de 13h20, os papéis recuavam 4,7%, a R$ 9,13.

O principal ponto de atenção foi a performance de lojas existentes, cuja receita comparável caiu 0,9% no trimestre, contrariando a expectativa de leve alta de analistas. O BTG Pactual aponta que a demanda segue fraca, especialmente entre famílias de menor renda, o que impacta o fluxo de clientes.

A análise indica que houve pressão de preços em itens básicos, como arroz, leite, açúcar e feijão, que ficaram cerca de 12% mais baratos. Mesmo com ajustes de preço e maturação das lojas, o banco observa que o desempenho operacional ficou próximo do estável sem efeitos não recorrentes.

A margem bruta apresentou melhoria, puxada pela maturação de lojas mais novas e pela estratégia de preços mais eficiente. Créditos tributários pontuais também ajudaram a elevar o resultado, mas, excluídos esses itens, o EBITDA ficou próximo do estável, em R$ 1,02 bilhão.

O lucro líquido somou R$ 86 milhões, ante R$ 162 milhões há um ano, ficando abaixo das expectativas. A BTG atribui a queda ao aumento da carga tributária e a despesas financeiras maiores. O fluxo de caixa operacional após investimentos ficou negativo em R$ 670 milhões.

A dívida líquida encerrou o trimestre em 2,52 vezes o EBITDA, abaixo de 3,15 vezes de um ano antes, conforme aponta o BTG. O banco destaca que a redução da alavancagem continua sendo um pilar da tese de investimento, mas reforça o cenário desafiador para o varejo alimentar, com preços em queda, endividamento das famílias e mudanças nos hábitos de consumo.

Ainda assim, há potenciais sinais positivos no radar, como a possível queda dos juros e medidas que aumentem a renda disponível, o que poderia beneficiar o consumo nos próximos anos.

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