- Economista Sérgio Vale afirma que o endividamento brasileiro está em patamar recorde, mas o problema é o custo da dívida, não o tamanho da dívida das famílias.
- Governo planeja o Desenrola 2.0 com uso de recursos do FGTS, configurando uma solução paliativa que não resolve o problema estrutural dos juros altos.
- FGTS hoje rende pouco em comparação com outras opções de investimento, levantando questões sobre o propósito original do fundo.
- Cenário de juros elevados, com taxas reais acima de dez por cento, aliado à desaceleração econômica e ao aumento do desemprego, eleva a inadimplência e restringe o consumo.
- A solução estrutural apontada é um ajuste fiscal mais expressivo para reduzir as taxas de juros a níveis normais, tornando o crédito mais acessível no longo prazo.
O endividamento dos brasileiros atinge patamares elevados, colocando o governo e o sistema financeiro em alerta. Análise de economista aponta que o problema não é o tamanho da dívida, mas o custo alto dos juros que a dívida acarreta.
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, a dívida das famílias é relativamente pequena frente a países semelhantes, porém o encargo financeiro é o que mais pesa no orçamento. O custo dos juros atrasa a capacidade de quitação e impulsiona o endividamento.
Desenrola 2.0
O governo planeja lançar o Desenrola 2.0 em meio a uma situação fiscal mais complicada do que a do programa anterior. A intenção é usar recursos do FGTS para facilitar o pagamento de dívidas, o que Vale classifica como solução paliativa.
O uso do FGTS, segundo o economista, não resolve o problema estrutural de curto e médio prazo: juros altos e acessibilidade ao crédito. A mudança levanta dúvidas sobre o propósito original do fundo, criado para proteção ao trabalhador, e sobre rentabilidade em comparação a outras opções de investimento.
Juros altos e desaceleração econômica
O contexto atual envolve juros reais acima de 10%, combinados com desaceleração econômica e aumento do desemprego. A combinação tende a prejudicar o consumo e elevar a inadimplência, segundo Vale.
Ele questiona se vale a pena buscar crédito nas condições vigentes, especialmente com expectativas de juros ainda elevados no próximo ano. A inflação recente, alimentada pelo choque do petróleo, deve manter o cenário desafiador para famílias e empresas.
Perspectivas para o crédito e o ajuste fiscal
Para reduzir a pressão sobre juros e facilitar o crédito, o economista defende um ajuste fiscal mais robusto. Um cenário com inflação contida e juros menos elevados ajudaria a reduzir a inadimplência no médio prazo e estimular o consumo.
A análise sugere que mudanças estruturais no arcabouço fiscal podem ampliar o espaço para políticas de crédito mais acessíveis, evitando soluções puramente paliativas que difundem endividamento semreated.
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