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Economistas veem piora na composição da inflação no IPCA-15

Inflação de abril fica aquém do esperado pelo IPCA-15, mas núcleo acelera; Copom mantém cautela antes de novo corte de juros

O Banco Central definirá o novo patamar dataxa básica, a Selic, na 4ª feira (29.abr.2026)
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  • O IPCA-15 de abril ficou em 0,89%, abaixo do esperado, puxado pela deflação das passagens aéreas.
  • Economistas veem piora na composição da inflação, com núcleos e serviços subjacentes acelerando.
  • O Copom deve manter cautela na decisão sobre a Selic na reunião de 29 de abril, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual.
  • A leitura aponta alta acentuada para alimentos e combustíveis, especialmente gasolina e óleo diesel, afectados pelo conflito no Oriente Médio.
  • A evolução dos preços de bens duráveis e vestuário também pesou, enquanto a deflação em março foi revertida pela acumulação de preços de itens industrializados.

O IPCA-15 de abril ficou em 0,89%, abaixo das projeções de mercado, mas com composição mais desfavorável. Economistas destacam que o resultado pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos na política monetária. O Copom deve definir a Selic na próxima reunião, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual.

Segundo especialistas, o avanço da inflação foi restrito pelo recuo das passagens aéreas, porém houve aquecimento em outros componentes. A leitura utiliza dados coletados de março e abriu espaço para avaliar o impacto de choques de petróleo e geopolítica no curto prazo.

A leitura do IPCA-15 é considerada a prévia da inflação oficial para o mês. O indicador mostra que, apesar do resultado mensal abaixo do esperado, vários núcleos de inflação aceleraram, mantendo pressão sobre a meta.

Perspectivas para o Copom

Analistas ressaltam que o diferencial entre o núcleo e o índice geral se ampliou, o que sustenta a cautela com qualquer redução adicional da Selic. A taxa atual está em 14,75% ao ano, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 29 de abril.

O desempenho de março para abril mostrou aceleramento de séries relevantes para a política monetária, com médias de núcleos acima da meta de 3%. A leitura reforça a necessidade de monitorar a contagion de preços de serviços e de bens duráveis.

Composição por itens e efeitos setoriais

O resultado positivo foi concentrado pela deflação em passagens aéreas, consequência de fatores sazonais e de menor demanda. Por outro lado, os preços de industrializados subiram, puxando a inflação de serviços e de bens duráveis e semiduráveis.

Alimentos registraram alta de 1,77% em abril, e combustíveis mostraram volatilidade relevante devido ao impacto geopolítico. A gasolina teve alta expressiva, acompanhada de alta no óleo diesel, ampliando expectativas para leituras futuras.

Economistas destacam ainda que o ajuste de preços pode refletir mudanças de sazonalidade e antecipações por parte de agentes diante de riscos internacionais. A inflação de 2026 pode ficar em torno de 5%, segundo estimativas de algumas casas.

O Itaú reforçou a visão de que o ritmo mensal ficou próximo do esperado, mas o componente industrial subjacente surpreendeu positivamente. A leitura aponta para efeitos indiretos de choques externos no curto prazo, especialmente no setor de higiene pessoal e vestuário.

Leonardo Costa, do ASA, aponta que o quadro atual indica pressão generalizada em serviços e bens industrializados, com leitura de curto prazo podendo trazer desaceleração apenas de forma gradual. O estudo aponta ainda riscos de núcleo mais elevado por impactos geopolíticos.

O conjunto dos dados reforça o debate sobre o momento adequado para o ajuste da política monetária, mantendo o foco em inflação de núcleo, serviços e efeitos de combustíveis. A decisão do Copom segue sob monitoramento técnico e cenário externo.

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