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Endesa nomeia Gianni Armani novo CEO em substituição a José Bogas

Endesa nomeia Gianni Armani novo CEO, substituindo José Bogas, que vira conselheiro não executivo, enquanto a empresa sustenta atuação no apagão e cita CNMC

José Bogas, consejero delegado de Endesa. Foto cedida por la compañía.
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  • Endesa aprovou Gianni Armani como novo consejero delegado, substituindo José Bogas, que passa a ocupar o posto de conselheiro não executivo externo.
  • A mudança acontece no dia do primeiro aniversário do apagão que deixou a Península Ibérica sem energia, tema que voltou às manchetes após a reunião do conselho.
  • Bogas afirmou que o apagão teve relação com falhas na programação da geração síncrona e com a renovável não integrada plenamente à gestão de tensões, conforme o marco regulatório da época.
  • A CNMC abriu dezenas de autos de infração; segundo Bogas, são aperfeiçoamentos regulatórios passíveis de punição, mas não ajudam a esclarecer as causas do apagão nem responsabilizações do dia.
  • A empresa divulgou resultados de 2025: benefício líquido ordinário de 2,351 bilhões de euros; dividendo por ação de 1,58 euro; investimentos de 3,155 bilhões; plano estratégico prevê 10,6 bilhões, com foco em redes e renováveis.

Endesa anunciou a nomeação de Gianni Armani como novo presidente executivo, substituindo José Bogas, que deixa o cargo após 12 anos. A mudança ocorre na véspera do primeiro aniversário do apagão que atingiu a Península Ibérica e foi aprovada pelo conselho após a assembleia de acionistas.

Armani, italiano, assume o cargo de CEO enquanto Bogas passa a ocupar a função de conselheiro não executivo. A empresa informou que Bogas permanece na companhia, mantendo vínculo como executiva não remunerada, o que alimentou rumores sobre planos para uma futura presidência não executiva.

Nominação e contexto

No discurso de despedida como CEO, Bogas atribuiu parte do apagão a falhas na programação de geração síncrona pelo operador do sistema, Red Eléctrica, destacando que o marco regulatório, envolvendo a CNMC, ainda não contemplava a plena integração de energias renováveis na gestão de serviços dinâmicos de tensão. O cenário envolveu variações rápidas de produção eólica e solar que afetaram o equilíbrio do sistema, gerando desconexões em cascata.

O antigo diretor enfatizou que, desde então, o sistema passou a ter maior presença de tecnologias síncronas, visando melhorar a estabilidade. Ele mencionou ainda que a tensão no dia do apagão atingiu patamares elevados, com variações acima de 420 kV, superior ao usual em outras regiões da Europa.

Aspectos regulatórios e operacionais

Bogas citou a abertura de vários expedientes sancionadores pela CNMC em semanas anteriores, incluindo um contra Red Eléctrica e outros 55 a geradoras, entre as quais 18 estariam sob a gestão de Endesa. Segundo ele, os casos referem-se a períodos anteriores ao apagão e não esclarecem as causas do evento, segundo sua visão.

A defesa da energia nuclear também ganhou espaço na fala de Bogas, que argumentou pela necessidade de uma transição ordenada e de manter as usinas ativas por um período adicional, por considerá-las estratégicas para a estabilidade do sistema. Ele estimou que um fechamento total elevaria o preço da energia em cerca de 13 euros por megavatio-hora e impactaria metas climáticas.

Resultados e cenário financeiro

A assembleia aprovou os resultados de 2025, com lucro líquido recorrente de 2,351 bilhões de euros, queda de 18% em relação ao ano anterior, beneficiando-se de investimentos que somaram 3,155 bilhões de euros. A proposta de dividendos foi aprovada, aumentando para 1,58 euro por ação, ante 1,3 euro no exercício anterior.

A empresa destacou que, desde o início de sua gestão, a rentabilidade da ação subiu cerca de 361%, superando o desempenho médio do Ibex. Em 2025, o grupo realizou investimentos significativos e aprovou um plano estratégico com 10,6 bilhões de euros para 2026, com 80% destinados a redes e renováveis.

Perspectivas e liderança

O presidente do conselho, Juan Sánchez-Calero, mencionou o ambiente de incerteza decorrente de conflitos internacionais que afetam o mercado de gás. Bogas reforçou a ideia de que a Espanha possui vantagem estratégica pela capacidade renovável em expansão, contribuindo para contenção de preços na maior parte do tempo.

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