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Endividamento reduz percepção do papel do governo entre a população

Endividamento amplia ceticismo com o papel do governo; Desenrola 2.0 pode aliviar dívidas, mas não restaura a mobilidade social, diz analista

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  • O governo federal discute o lançamento do Desenrola 2.0, programa para renegociação de dívidas dos brasileiros.
  • O analista Pedro Venceslau afirma que o endividamento crescente faz a população duvidar do papel do governo na melhoria de vida das famílias.
  • Diferente dos governos petistas, que associaram crédito fácil e programas como o Bolsa Família à mobilidade social, o cenário atual é distinto.
  • A isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais não atingiu o efeito esperado, com dinheiro sendo consumido para quitar dívidas.
  • O ciclo de endividamento envolve consignado, cheque especial e apostas esportivas online, gerando um mal-estar que impacta a popularidade do governo.

O governo federal discute o lançamento do Desenrola 2.0, programa para renegociação de dívidas dos brasileiros. O analista Pedro Venceslau aponta que o contexto revela mudanças profundas na percepção do papel do Estado na vida das famílias.

Segundo ele, o endividamento crescente faz a população duvidar de que o governo possa promover uma melhoria expressiva nas condições de vida. O debate ocorreu durante o programa Hora H, nesta terça-feira (28).

Para Venceslau, nos governos petistas anteriores houve avanço pela ampliação do crédito, sobretudo consignado, aliado a programas de transferência de renda como o Bolsa Família, gerando mobilidade social.

“A população sentia que subia na hierarquia; a aquisição de bens simples simbolizava isso, como uma máquina de lavar”, explicou o analista, citando esse período como referência de mudança social.

Esse efeito não se repete no governo atual, segundo o especialista. Ele também aponta que a isenção do imposto de renda para quem fatura até 5 mil reais não atingiu o efeito esperado, e que o dinheiro vem principalmente do pagamento de dívidas.

O diagnóstico aponta que o gasto se concentra em dívidas como consignado, cheque especial e cartão de crédito, gerando uma bola de neve para muitos consumidores, o que pode reduzir a percepção de melhoria financeira.

Venceslau destaca ainda que apostas esportivas online contribuem para o endividamento, mantendo um ciclo de consumo financiado que, para pagar um empréstimo, leva a outro, dificultando a saída.

Essa dinâmica financeira afeta a popularidade do governo, segundo o analista, que ressalta o papel do setor bancário na ampliação da oferta de crédito a pessoas de baixa renda e na bancarização, ainda que com limites evidentes.

Ainda que haja emprego e renda, o quadro não transmite conforto financeiro suficiente. O analista afirma que ter trabalho não basta quando a sensação de bem-estar financeiro está distante.

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