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Ibovespa em zona de risco após dois meses de guerra, com juros incertos

Ibovespa volta a território de queda com petróleo acima de US$ 100, pressão inflacionária e projeções de juros até 13% ao ano no fim de 2026

Após dois meses de guerra, Ibovespa entra em zona de risco com quedas de juros em xeque — Foto: Getty Images
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  • Ibovespa fechou em 188.619 pontos, queda de 0,5%; semana com -1,11%, mês com +0,6% e acumulado no ano de +17%.
  • Conflito entre EUA e Irã completa dois meses, com Ormuz sem perspectiva de reabertura; petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, pressionando a inflação global.
  • Mercados ajustam a curva de juros: expectativa para a Selic ao final de 2026 subiu para 13%; contratos de DI indicam taxa perto de 14,13% ao ano para janeiro de 2027.
  • Ormuz é apontado como principal fator de volatilidade para o cenário externo; óleo mais caro pode impactar custos de produção e margens.
  • Do total de 83 ações do Ibovespa, 56 desvalorizaram; cenário depende de solução diplomática para o conflito ou melhora dos fundamentos domésticos (queda da Selic, lucros e consumo).

Nesta terça-feira (28), o Ibovespa operou em zona de risco ao longo de dois meses de conflito entre EUA e Irã. Os ataques aéreos foram pausados, mas o impasse diplomático persiste, pressionando a liquidez e elevando a percepção de risco nos mercados.

O índice brasileiro fechou em queda de 0,5%, aos 188.619 pontos. A semana acumula queda de 1,11%, enquanto o mês ainda registra alta de 0,6% e, no ano, avanço de 17%. O giro financeiro ficou em R$ 16,9 bilhões, 6% abaixo da média histórica.

A preocupação central continua o Estreito de Ormuz, passagem estratégica que liga o Golfo Pérsico ao mundo e concentra cerca de 20% do petróleo comercializado. Controle pelo Irã pressiona preços e alimenta a inflação global.

Impacto no petróleo e no câmbio

O petróleo permanece acima de US$ 100 o barril, cerca de 55% mais caro em dois meses. A inflação global ganha projeção de alta, com impactos previstos nos combustíveis no Brasil e nas expectativas de política monetária.

Mercados ajustaram as probabilidades de política de juros: a expectativa para a Selic subiu, de 12% para 13% ao ano no fim de 2026. Prêmios de contratos DI para 2027 caíram marginalmente, refletindo incerteza de curto prazo.

Economistas destacam que a renda fixa continua atraente, limitando a expansão de múltiplos na bolsa. A recomendação para maio permanece concentrada em empresas com alta qualidade, geração consistente de caixa e baixa alavancagem.

Cenários e perspectivas

Donald Trump tem buscado manter o foco nas negociações diplomáticas, enquanto o Irã mantém suas demandas. O dólar ficou estável em torno de R$ 4,98, com leve recuo na semana, e pode permanecer volátil diante de novas informações.

Grandes instituições revisam projeções de petróleo: Goldman Sachs e JP Morgan indicam cotação acima de US$ 100 no curto prazo, com carry de proteção para o fim do ano. O mercado aguarda sinais sobre eventual reabertura permanente de Ormuz.

No cenário brasileiro, 56 das 83 ações do Ibovespa registraram queda. A saída anunciada dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep+ adiciona incerteza sobre a dinâmica de oferta e preços da commodity.

Para o Ibovespa recuperar o terreno perdido, é necessária either uma solução diplomática entre EUA e Irã com reabertura de Ormuz ou sustentação das ações por fundamentos domésticos fortes, como queda de juros, lucros estáveis e consumo estável. O cenário externo continua determinante no curto prazo.

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