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Inflação global volta: ativos que protegem ou destroem patrimônio

Inflação global persiste; títulos atrelados à inflação protegem o patrimônio, enquanto ativos de duração longa perdem valor com juros altos

— Foto: Getty Images
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  • O conflito no Oriente Médio eleva a inflação global, com petróleo acima de US$ 100 por barril e frete em alta, levando a juros mais altos por mais tempo.
  • O IPCA brasileiro deve chegar a 4,80% em 2026, enquanto a taxa Selic pode terminar o período em torno de 13%.
  • Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ de médio prazo, aparecem como proteção, oferecendo renda real próxima a 7,72% ao ano.
  • Dinheiro parado em aplicações que rendem abaixo da inflação é apontado como a forma mais silenciosa de destruir patrimônio; ativos de duração longa também sofrem no ajuste de juros.
  • Ativos da economia real e de caixa com liquidez, como commodities, Petrobras, BB Seguridade, Taesa e Engie Brasil, tendem a preservar valor; contratos indexados à inflação ajudam a atravessar o aperto monetário.

Completando dois meses desde o início da escalada no Oriente Médio, o choque geopolítico se converteu em pressão inflacionária persistente. A inflação global voltou a ganhar fôlego, puxando preços de energia e de cadeias de suprimentos. O cenário atual demanda revisão imediata das carteiras.

O petróleo Brent ficou acima de US$ 100 por barril por boa parte do período, e o frete marítimo subiu em função da instabilidade no Estreito de Ormuz. Juntos, esses fatores reforçam a perspectiva de juros altos por mais tempo, impactando aplicações e custos de financiamento.

Para analistas, a forma mais silenciosa de destruição patrimonial é o dinheiro parado em investimentos que rendem abaixo da inflação. O contexto atual enfatiza a necessidade de proteção contra a perda do poder de compra.

A despeito disso, apareçam ativos que ajudam a preservar o patrimônio. Segundo André Matos, presidente da MA7 Negócios, o IPCA brasileiro projeta 4,80% para 2026, enquanto a Selic deverá encerrar o mesmo período em 13%.

Títulos atrelados à inflação emergem como proteção, especialmente o Tesouro IPCA+ de médio prazo, que oferece retorno real próximo de 7,72% ao ano. Com esse ganho, o investidor mantém ganho acima da inflação independentemente da magnitude da alta de preços.

A recomendação é evitar aplicações que não superam a inflação, principalmente pela via de renda fixa de longo prazo, que perde atratividade quando as taxas sobem. As pressões atuais também reduzem o valor presente de papéis prefixados.

No mercado de crédito, a seletividade aparece como regra. Estruturas bem montadas, com garantias sólidas e retornos ajustados ao risco ganham destaque, enquanto papéis com pouca proteção contra volatilidade de juros perdem espaço.

Portos seguros

Dentro da visão de defesa de portfólio, commodities, especialmente petróleo e metais de base, funcionam como primeira linha de proteção frente ao choque de oferta. A valorização de ativos reais evita perdas em cenários de alta de custos.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, aponta que algumas ações de renda variável, como BB Seguridade, têm caixa robusto aplicado em CDI, o que ajuda em períodos de turbulência. Empresas de energia, como Taesa e Engie Brasil, também aparecem como referências.

Edgar Araújo, presidente da Azumi Investimentos, ressalta que a capacidade de repasse de preços determina quem preserva valor. Ativos com fluxo de caixa previsível e baixa alavancagem tendem a resistir melhor ao aperto monetário.

O novo normal de juros altos

A recuperação definitiva do protagonismo da renda fixa pós-fixada é destacada por Leonardo Santana, da Top Gain. Segundo ele, títulos indexados à inflação ajudam a proteger o portfólio e asseguram ganhos reais, diante do ambiente de maior aversão ao risco.

Empresas exportadoras de petróleo, como Prio e Petrobras, tendem a se beneficiar de preços elevados, reforçando a distribuição de dividendos. O foco, porém, continua na proteção do capital e na consistência de fluxo de caixa.

André Matos conclui que a estratégia vitoriosa envolve entender o que cada ativo carrega e se a rentabilidade real compensa o risco. Ao fim do conflito, quem preserva o poder de compra tende a ter melhor desempenho.

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