- IPCA-15 de abril subiu 0,89%, com acumulado de dois meses de 2,39% e inflação em 12 meses de 4,37%.
- A queda das passagens aéreas puxou o índice; porém bens industrializados aceleraram devido ao risco geopolítico no Oriente Médio, com gasolina em alta de 6,23% e diesel de 16%.
- Núcleos de inflação voltaram a acelerar: serviços subjacentes em 3 meses móveis, 5,7%; núcleo de industriais em 5,3%; difusão inflacionária chegou a 67%, maior desde abril de 2025.
- Economia aponta risco assimétrico, com pressão persistente sobre preços de combustíveis e logística, impactando projeções de inflação.
- No Copom, a maioria dos analistas mantém expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, porém com viés mais cauteloso ante o cenário externo e a inflação.
O IPCA-15 de abril ficou em 0,89%, ante 0,44% em março. A leitura mostrou sinais mistos: alta de bens industrializados e impactos do conflito no Oriente Médio contrastam com a queda atípica nas passagens aéreas. A inflação em 12 meses passou de 3,9% para 4,37%.
No corte da taxa de inflação, a composição não foi favorável, aponta consultorias. O petróleo acima de US$ 110 o barril elevou a gasolina e o óleo diesel, pressionando o varejo e a logística. Especialistas consideram o quadro com risco de persistência de altas.
Entre os destaques, houve aceleração de núcleos de inflação e o índice de difusão atingiu o maior patamar desde abril de 2025, sinalizando disseminação de pressões inflacionárias. A leitura reforça dúvidas sobre o curto prazo e expõe assimetria de riscos para o Copom.
Bens industrializados sob pressão
Leonardo Costa, economista do ASA, aponta que a reacceleration dos bens industrializados pode refletir antecipação de preços diante do risco geopolítico. Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, classifica a alta disseminada como revés para a percepção anterior do IPCA.
Para o Itaú, o resumo dos ruídos mostra deterioração de serviços e de bens industriais, com núcleos subjacentes acelerando. A média móvel de três meses indica avanço de 5,7% em serviços e 5,3% em bens industriais.
Cenário econômico e decisão do Copom
O conjunto de dados não alterou drasticamente a visão de curto prazo sobre o Copom, porém elevou o tom sobre o cenário de política monetária. Economistas discutem espaço para um ajuste de 0,25 ponto na Selic, com calibração dependente dos desdobramentos externos.
Gabriel Pestana, Genial Investimentos, sugere cautela maior na condução da política monetária e posterior ajuste mais gradual. Projetos apontam Selic entre 12,75% e 13,25% ao fim de 2026, dependendo do conflito e da inflação.
A XP mantém expectativa de queda de 0,25 p.p. na Selic, condicionada ao andamento da guerra. O C6 projeta IPCA em 4,8% em 2026 e aponta corte gradual de juros. As projeções permanecem sensíveis a condições internacionais e à trajetória dos preços internos.
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