- Lula vai lançar um programa para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de famílias.
- O anúncio deve ocorrer nesta semana, antes do Dia do Trabalho, em 1º de maio.
- Bancos poderão oferecer descontos de até 90% para quitar dívidas; o saldo remanescente será refinanciado a juros menores com garantia do FGO (fundo privado que absorve parte do risco de crédito).
- O governo ainda analisa usar recursos do FGTS para apoiar o refinanciamento de certas dívidas.
- O programa mira trabalhadores com até cinco salários mínimos, com dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos, em um contexto de endividamento recorde.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar nesta semana um programa para renegociar dívidas de famílias, com potencial de beneficiar mais de R$ 100 bilhões em compromissos. A iniciativa faz parte de um pacote de medidas para estimular o consumo, em meio a avaliações da economia e ao cenário eleitoral que se aproxima.
Segundo fontes familiarizadas com o assunto contatadas pela Bloomberg News, o plano prevê descontos de até 90% para bancos renegociarem dívidas, com o saldo remanescente refinanciado a juros mais baixos. O governo também avalia usar parte de recursos do FGTS para subsidiar o refinanciamento de determinadas dívidas.
A estratégia inclui a participação de um fundo privado que absorveria parte do risco de crédito em empréstimos a pequenas empresas, facilitando a securitização de operações com desconto para famílias endividadas. Detalhes operacionais devem ser divulgados antes do Dia do Trabalho, em 1º de maio.
Potenciais impactos e alcance
O programa mira trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos que estejam com dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. A medida surge em um contexto de endividamento financeiro elevado, com a taxa agregado de famílias inadimplentes atingindo recorde recente.
A iniciativa resgata uma linha já apresentada no passado pelo governo. O Desenrola, lançado em 2023, foi taxado como um dos marcos da gestão de Lula, tendo reestruturado mais de R$ 53 bilhões em dívidas e alcançado mais de 15 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério da Fazenda.
Repercussões e avaliações
A oposição e parte da equipe econômica avaliam riscos da estratégia, entre eles a possibilidade de incentivar o consumo por meio de alívios periódicos, pressionando a inflação num momento de flexibilização gradual da política monetária. O Banco Central acompanha o impacto potencial dessas medidas no cenário macroeconômico.
Pesquisas divulgadas pela AtlasIntel para a Bloomberg News indicam que a aprovação de programas de alívio tem peso na percepção pública, com parte da população avaliando positivamente as ações governamentais voltadas a facilitar o endividamento. Ainda assim, a viabilidade fiscal e o efeito em inflação permanecem em debate.
Com a divulgação oficial, o governo busca ampliar o alcance de medidas de estímulo ao consumo sem comprometer o equilíbrio macroeconômico. A divulgação completa deve ocorrer antes do fim da semana.
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