- Kevin Warsh afirma que quer uma “boa briga de família” na mesa de política monetária ao assumir o Federal Reserve, e pode enfrentar resistência para cortes de juros pedidos pelo presidente Trump.
- O Comitê Bancário do Senado deve avançar, ainda nesta quarta-feira, a indicação de Warsh, que seguiria para o plenário, abrindo caminho para presidir a reunião do Fed de 16 e 17 de junho.
- Destacam-se desafios internos: cerca de metade dos membros do Fed é hawkish, com poucos apoiando cortes, e apenas três defendiam reduções de curto prazo.
- No plano da inflação, Warsh sugeriu que a inflação melhorou, o que contrasta com a visão de outros dirigentes que citam tarifas, guerra no Irã e petróleo alto como pressões inflacionárias.
- Sobre o balanço patrimonial e a possível redução do tamanho do ativo (balance sheet), Warsh defende que ajustes ocorram de forma gradual, para que haja espaço para cortes de curto prazo.
O fed up para a frente: Kevin Warsh, indicado para chefiar o Federal Reserve, defende uma “boa briga de família” na mesa de política monetária ao assumir o banco central dos EUA. O cenário acompanha a expectativa de que o Comitê Bancário do Senado aprove a indicação na quarta-feira, seguindo para votação no plenário. O contexto é de divergências entre colegas sobre cortes de juros e rumo da inflação, com a gestão de Powell sob escrutínio até 15 de maio.
O plenário da Câmara alta analisa o nome de Warsh, 56 anos, que pode chegar à presidência de reunião do Fed marcada para 16 e 17 de junho. O processo ocorre num momento de tensão entre visões de política monetária, entre defensores de cortes rápidos e apoiadores de manter a taxa elevada.
Warsh sinaliza posições que podem influenciar o debate, mas o cenário permanece incerto, com o mercado destacando a probabilidade de manter as taxas inalteradas neste ano. O Congresso avalia a viabilidade de mudanças graduais na condução da política monetária.
Mercado de trabalho
Warsh afirmou durante a audiência de confirmação que a economia opera perto do pleno emprego, segundo suas leituras. O relatório de março aponta taxa de desemprego de 4,3%, apoio a trabalhadores com vagas disponíveis e diminuição de imigrantes, fatores que afetam o mercado de trabalho sem indicar deterioração acentuada.
Inflação
O indicado discorreu sobre a inflação, citando melhorias recentes, em contraste com a visão de parte da equipe do Fed, que aponta impactos de tarifas externas e fatores geopolíticos. A inflação subjacente ficou em torno de 3% em fevereiro e pode ter avançado para 3,2% em março, conforme estimativas.
Taxas de juros
Powell manteve o tom de que a política está bem posicionada, com juros previstos entre 3,50% e 3,75%. Discussões sobre mudanças na meta de inflação de 2% do Fed aparecem entre especulações, mas encontram resistência entre a maioria dos formuladores, que não aceitam revisões.
Balanço patrimonial
Warsh aponta que decisões sobre juros devem caminhar junto à gestão do balanço patrimonial. A visão dele é reduzir o tamanho do balanço para abrir espaço a cortes de curto prazo, posição que diverge do view majoritária, que sustenta expansão gradual.
Inteligência artificial
O futuro da IA é visto como potencial impulsionador da produtividade a longo prazo, o que, na visão de Warsh, poderia abrir espaço para cortes de juros se o crescimento se manter sem pressões inflacionárias. No curto prazo, porém, autoridades alertam para pressões inflacionárias decorrentes de investimentos em IA.
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