- Mais de cem mil contas perderam pelo menos US$ 1.000 no Polymarket desde o início de 2025, quase o dobro das que tiveram lucro.
- Os ganhos ficaram concentrados em uma pequena parcela de robôs automatizados; 823 usuários lucraram mais de US$ 100.000 cada.
- No conjunto, todos os demais operadores somaram perdas de US$ 131 milhões.
- Estudos apontam que robôs realizam muitas negociações diárias, ajudando a gerar lucros, mas operadores de varejo também acertaram resultados com mais frequência, porém perderam mais dinheiro por entradas tardias.
- O registro em blockchain permite ver as carteiras, mas não a identidade dos donos; formadores de mercado foram citados como responsáveis por grande parte dos ganhos.
Os mercados de previsão não venderam a ideia de renda fácil para jovens endividados. Dados da Bloomberg News indicam que a maioria dos traders perdeu dinheiro em Polymarket, um dos maiores mercados desse tipo. A análise abrange carteiras ativas desde o começo de 2025.
Mais de 100.000 contas registraram perdas de pelo menos US$ 1.000, segundo o levantamento. Esse contingente representa quase o dobro do número de usuários que obtiveram lucro superior ao mesmo patamar. Os resultados somam perdas de US$ 131 milhões entre todos os operadores.
A Polymarket mantém registro público em blockchain das carteiras. A transparência permite observar o volume, mas não a identidade dos usuários, o que dificulta medir o impacto real de cada perfil. A plataforma não comentou as conclusões da pesquisa.
Ganhos concentrados em bots e o papel dos traders de alta frequência
Entre os lucros, a maior parcela ficou com um grupo de traders automatizados, que atuam como bots. Análise usa critérios de atividade para classificar contas como bots se historicamente realizarem grande volume de negociações diárias.
De acordo com a metodologia, robôs típicos chegaram a realizar em média 89 negociações por dia útil, muito acima de robôs não automatizados. O grupo de bots lucrativos somou cerca de US$ 131 milhões, com 823 usuários garantindo mais de US$ 100.000 cada um.
Ainda segundo o estudo, varejistas com maior frequência de negócios tiveram ganhos menores, acabando por perder parte significativa do dinheiro negociado. A conclusão aponta para a importância da velocidade de execução e de preços favoráveis na obtenção de lucro.
Pesquisadores destacam que, mesmo entre bots, a maior parte não obtém retorno positivo quando somadas todas as operações. Os lucros elevados vieram de uma minoria que investiu com maior volume e em momentos oportunos de entrada.
Contexto e implicações
A análise contrasta com a noção de que mercados de previsão seriam menos dependentes de casas de apostas. Os registros indicam que traders automatizados estão assumindo grande parte do papel de formadores de mercado, influenciando as negociações em várias categorias.
Estudos relacionados apontam que o desempenho de investidores de varejo tende a ser inferior ao do mercado como um todo, especialmente pela execução de operações em momentos desfavoráveis. Pesquisas sobre plataformas concorrentes também são mencionadas para contextualizar o cenário.
Em síntese, a maior parte dos usuários de Polymarket opera com perdas, enquanto uma minoria, especialmente entre bots, acumula ganhos expressivos. As evidências sugerem que vantagem está em execução rápida e preços favoráveis, não apenas na precisão de previsões.
Notas sobre metodologia e limitações
A Bloomberg utilizou dados de carteiras ativas desde 2025, com classificação de bots baseada em critérios de atividade de negociação. A análise não divulga identidades nem rebatem de forma conclusiva a qualidade das projeções feitas pelos usuários. Fontes oficiais da Polymarket não comentaram as conclusões.
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