- Big Tech anuncia cerca de 46 mil demissões em quatro semanas, conforme o site Layoffs.fyi, para financiar investimentos em IA que chegam a US$ 650 bilhões.
- Meta confirmou desligar oito mil funcionários e interromper o processo de contratação de seis mil vagas, para compensar investimentos em IA.
- Microsoft abriu programa de aposentadoria voluntária para aproximadamente sete por cento dos trabalhadores nos Estados Unidos.
- Snapchat demitiu dezesseis por cento da equipe global para economizar cerca de US$ 500 milhões até 2026; Oracle também iniciou reestruturação com demissões na Índia.
- O foco em IA impulsiona cortes de custos para financiar infraestrutura; empresas preveem gastos ampliados em IA, enquanto há resistência social a novos data centers em várias regiões.
A inteligência artificial acelera cortes de funcionários em grandes empresas de tecnologia. Na última semana, a Meta confirmou desligar 8 mil trabalhadores e encerrar o processo seletivo para 6 mil vagas, segundo comunicado interno. A justificativa apontada pela empresa é a necessidade de compensar os investimentos em IA.
Poucos dias depois, a Microsoft lançou um programa de aposentadoria voluntária para cerca de 7% dos seus funcionários nos Estados Unidos, marcando uma primeira adoção dessa escala para desligamentos. Dados do Layoffs.fyi indicam quase 46 mil demissões anunciadas em apenas quatro semanas no setor.
Na mesma linha, o ecossistema de Big Techs viu outros movimentos: Jack Dorsey reduziu pela metade o quadro da própria empresa de IA, a Block, afirmando que ferramentas internas de IA e equipes mais enxutas aceleram a nova forma de trabalhar. A Snap, dona do Snapchat, desligou 16% da força global para economizar US$ 500 milhões até 2026. A Oracle iniciou demissões na Índia para redirecionar recursos à infraestrutura de IA.
Investimentos pesados em IA movem o cenário. Alphabet, Meta, Amazon e Microsoft pretendem investir até US$ 650 bilhões neste ano, valor superior ao dobro do gasto de dois anos atrás e 60% maior que 2025. Para sustentar esse ritmo, as companhias buscam reduzir custos operacionais, especialmente na folha de pagamento.
O movimento de cortes interessa diretamente as contas. A Amazon deve terminar o ano com fluxo de caixa negativo, enquanto a Meta destina mais da metade da receita anual aos investimentos em infraestrutura de IA, internalmente ou por meio de parcerias. A relação dívida/patrimônio da Meta subiu de 8% para 39% em cinco anos.
Paralelamente, cresce a resistência social à expansão de data centers. Em Aragão, norte da Espanha, moradores protestam contra investimentos bilionários da Amazon e da Meta em infraestrutura de IA, citando desapropriação de terras para projetos que, segundo moradores, não alcançam acordo satisfatório com proprietários.
O cenário atual revela o paradoxo: ao reduzir quadro de funcionários para financiar IA, as Big Techs buscam maior eficiência, mas podem enfrentar reação pública que dificulte a expansão pretendida. A corrida por infraestrutura de IA permanece em ritmo acelerado, com impactos diversos na economia e na sociedade.
Entre na conversa da comunidade