- O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, indo de 15,0% ao ano para 14,5% ao ano, em decisão unânime.
- É a segunda queda consecutiva; desde junho de 2025 a taxa vinha em 15% ao ano.
- A decisão ocorre em um cenário de guerra no Oriente Médio que elevou preços de combustíveis e alimentos, dificultando o controle da inflação.
- O BC fica desfalcado com mandatos de dois diretores expirados no fim de 2025 e mais um afastamento anunciado para esta semana.
- Em relação à inflação, a prévia do IPCA-15 acelerou para 0,89% em abril; o IPCA em doze meses chegou a 4,37%; a meta de inflação continua em 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa Selic, de 14,75% para 14,5% ao ano. A decisão foi unânime e ocorre em um cenário de guerra no Oriente Médio que pressiona combustíveis e alimentos. A medida busca conter a inflação, mas aumenta o risco de alta de crédito.
Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, atingindo o maior patamar em quase 20 anos. O recuo recente ocorre em meio a sinais de queda da inflação, ainda que ao menos parcialmente compensados pela pressão geopolítica.
Nesta sessão, o Copom enfrenta desfalques na área técnica: diretores com mandato expirado desde 2025 não foram substituídos, e um afastamento pontual ocorreu nesta semana por falecimento de parente. O governo ainda não encaminhou indicações de substituição ao Congresso.
Inflação e projeções
A Selic continua sendo o principal instrumento para controlar o IPCA. A prévia do IPCA-15 acelerou para 0,89% em abril, elevando o acumulado em 12 meses a 4,37%. O IPCA cheio de abril será divulgado em 12 de maio.
O sistema de meta contínua mantém a meta de 3% com tolerância de ±1,5 ponto. Assim, o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. A próxima divulgação, em maio, irá refletir a inflação desde maio de 2025, conforme o novo regime.
No Relatório de Política Monetária divulgado em março, o BC elevou a previsão de IPCA para 2026 de 3,5% para 3,6%. A carteira destaca que a estimativa pode mudar conforme comportamento do dólar e novos dados inflacionários. A próxima edição sai no fim de junho.
Mercado: o Focus aponta inflação anual de 4,86% para 2026, acima do teto da meta. Antes da crise internacional, as projeções estavam em 3,95%. Mantêm-se as expectativas de crescimento do PIB em torno de 1,8% para este ano.
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