- O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, indo de 14,75% para 14,50% ao ano, 2º corte seguido.
- A decisão foi unânime entre diretores e mantém o juro-base no menor patamar desde maio de 2025 (14,25%); já havia sido reduzido em 0,25 p.p. na reunião anterior.
- A inflação medida pelo IPCA ficou em 4,14% em março; o IPCA-15 apontou alta de 0,89% em abril, pressionando preços devido a fatores como o conflito no Oriente Médio.
- O mercado projetava salto da inflação para 4,86% até o fim do ano, com possibility de descumprimento da meta caso o IPCA anual ultrapasse 4,5% por seis meses consecutivos.
- A reunião teve quórum reduzido, com cargos de diretores vagos no Banco Central; indicações para os cargos precisam passar pela CAE e pelo plenário do Senado.
O Banco Central anunciou o segundo corte consecutivo na Selic nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A taxa básica caiu de 14,75% para 14,50% ao ano, em movimento unânime entre os diretores. A decisão garante queda de 0,50 ponto percentual desde a última reunião, ampliando o ciclo de afrouxamento monetário iniciado no mês anterior.
A medida busca frear a inflação sem comprometer o crescimento. O BC mantém a Selic em patamar restritivo para controlar preços, diante da inflação anualizada medida pelo IPCA de 4,14% em março, próximo ao teto da meta de 4,5%. A inflação mensal acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, o que alimenta a cautela sobre a trajetória de preços.
Em meio ao cenário externo, o BC destacou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo, combustível e fretes, fatores que podem manter a inflação pressionada. As últimas projeções indicam que a inflação pode ficar em 4,86% ao fim do ano, acima da meta, gerando atenção aos próximos movimentos da autoridade monetária.
Copom desfalcado
A decisão ocorreu com quórum reduzido na reunião do Copom, que contou com seis integrantes. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, conduziu o encontro ao lado de diretores responsáveis por fiscalização, regulação, conduta, política monetária e gestão de riscos. Dois cargos de diretoria, destinados a Organização do Sistema Financeiro e a Política Econômica, permanecem vagos desde o fim de 2025.
O governo ainda não indicou nomes para preencher as vagas. Lula pediu a indicação de Guilherme Mello, ex-secretário-executivo do Ministério do Planejamento, para a diretoria de Política Econômica, mas a nomeação não avançou. A falta de consenso e sabatinas no Senado tem mantido o Copom com integrantes em parte insuficiente para completo funcionamento.
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