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Brasil tem potência em renováveis, mas gargalos impedem liderança global

Especialistas apontam gargalos na cadeia produtiva, licenciamento e inclusão de riscos sociais e ambientais, limitando o Brasil na liderança da transição energética

Evento 'Transição Energética - O Brasil como potência na energia limpa' em Brasília — Foto: Ton Molina / O Globo
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  • Gargalos: pouca adensação da cadeia produtiva; painéis solares e turbinas eólicas costumam ser fabricados fora do Brasil; desafios com minerais críticos e necessidade de incorporar riscos sociais e ambientais na decisão de investimentos.
  • Brasil tem a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo; Congresso trabalha em uma política nacional para o setor com foco no desenvolvimento da cadeia produtiva e parcerias plurais.
  • Eletrificação em expansão, com destaque para o transporte, que concentra boa parte do consumo de combustível fóssil; mais de cinquenta por cento desse consumo está no transporte, e caminhões de longa distância são um desafio.
  • Emplacamento de veículos eletrificados cresce, com cento mil carros movidos a energia nos primeiros três meses deste ano, mas a expansão ainda é mais forte em transportes de curta distância.
  • Avanços tecnológicos e licenciamento ambiental: investir em tecnologias para reduzir carbono e mercados de carbono; Ibama tem redução de servidores no núcleo de licenciamento; produção de biocombustíveis pode crescer, com etanol estimado em 30 bilhões de litros na safra 2025/2026.

Entre especialistas e autoridades, o Brasil é visto como potencial líder da transição energética, mas enfrenta gargalos estruturais. O cenário foi apresentado no evento “O Brasil como potência na energia limpa”, em Brasília, promovido por O GLOBO e Valor.

Especialistas apontaram que a cadeia produtiva do setor é pouco adensada, com grande parte de painéis solares e turbinas eólicas fabricados no exterior. Também destacaram desafios na exploração de minerais críticos e na inclusão de riscos socioambientais na decisão de investimentos.

A discussão inicial avaliou a posição do Brasil no mapa global da transição. O país possui matriz elétrica mais limpa e abundância de recursos, mas enfrenta limites para firmar liderança global na área.

Minerais críticos

A pauta ganhou impulso pela relevância de minerais como componentes de veículos elétricos, painéis fotovoltaicos, semicondutores e turbinas eólicas. O Brasil abriga a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China, o que incentiva uma política nacional específica em construção no Congresso.

O relator da proposta, deputado Arnaldo Jardim, enfatizou a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva. Segundo ele, o Brasil não deve ser apenas exportador de commodities, mas avançar para etapas de processamento e atrair investimentos de diversas origem.

Eletrificação e transportes

André Luís Ferreira, do Iema, destacou que a eletrificação deve crescer no Brasil, com foco no transporte, grande gerador de emissões. Ele apontou que mais de 50% do consumo fóssil vem do transporte, com metade em caminhões de longa distância, cuja eletrificação é desafio central.

Dados da Anfavea indicam expansão de veículos eletrificados, com 100 mil carros movidos a energia registrados nos primeiros três meses deste ano, ainda concentrados no transporte de curta distância.

Desenvolvimento tecnológico

Alexandre Strapasson, da UnB, ressaltou o papel da tecnologia para reduzir impactos ambientais. Ele citou oportunidades de investimentos em remoção de carbono, reflorestamento, bioenergia e mercados de carbono, em desenvolvimento no país.

Licenciamento ambiental

O debate enfatizou a necessidade de integração entre planejamento setorial e territorial. Riscos sociais e ambientais devem ser internalizados no planejamento de investimentos em mineração e renováveis, não apenas no licenciamento ambiental tardio.

André Ferreira Luís apontou a baixa capacidade de atendimento do Estado para licenciamentos. O Ibama enfrenta redução de quadro ao longo dos anos, o que impacta a tramitação de projetos.

Biocombustíveis

No cenário internacional de instabilidade de combustíveis, o Brasil pode se destacar na produção de biocombustíveis. A safra recorde de cana e a disponibilidade de milho devem sustentar aumentos de etanol para a próxima safra, estimando-se 30 bilhões de litros.

Arnaldo Jardim destacou que avanços regulatórios permitiram elevar a produção de biocombustíveis sem comprometer a segurança alimentar. O debate representou a primeira edição presencial da iniciativa Transição Energética, promovida pelo GLOBO e pelo Valor, com patrocínio da Vale.

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