- A China eliminará tarifas sobre importações de 53 nações africanas em fases, começando nesta sexta-feira.
- Já zerou tarifas para 33 países africanos desde dezembro de 2024; mais 20 entrarão no regime até abril de 2028.
- Eswatini fica de fora por manter relações diplomáticas com Taiwan; Nigéria e África do Sul estão entre os beneficiados.
- A medida foi anunciada em junho de 2025, em reunião com 53 nações africanas, com o governo chinês dizendo que as tarifas zero criam oportunidades de desenvolvimento.
- O movimento busca ampliar comércio e investimentos chineses na África, com ênfase em petróleo angolano e minerais na Namíbia, embora a infraestrutura regional siga como desafio para a competitividade.
A China anunciou a eliminação gradual de tarifas para importações de 53 nações africanas, em um movimento que ocorrerá em fases a partir desta sexta-feira. A medida difere da postura protecionista adotada pelos EUA e deve fortalecer o fluxo de matérias-primas para o país asiático. O objetivo declarado é ampliar o desenvolvimento econômico dos países africanos.
A iniciativa já contemplou 33 países menos desenvolvidos da África desde dezembro de 2024 e será ampliada para mais 20 nações até abril de 2028. Quase todo o continente africano deverá se beneficiar, com exceção de Eswatini, que mantém relações diplomáticas com Taiwan.
A decisão foi anunciada pela primeira vez em uma reunião com 53 nações africanas na província de Hunan, em junho de 2025. O Ministério do Comércio da China destacou que as tarifas zero devem criar oportunidades de desenvolvimento para a África.
Implicações para a pauta econômica
A expansão das importações africanas beneficia a China ao obter insumos estratégicos. Angola é destaque, respondendo por parte relevante das importações de petróleo bruto, enquanto a Namíbia aporta recursos de terras raras como o disprósio.
Países africanos sinalizam expectativa de ganhos. Em março, o vice-presidente do Quênia, Kithure Kindiki, participou da cerimônia de partida do primeiro carregamento sem tarifas, com abacates, café e feijão rumo a Mombasa, para exportação à China.
Realce e desafios
O presidente de Gana afirmou que a medida pode elevar a competitividade de produtos locais como cacau e têxteis. No entanto, infraestrutura deficitária permanece como entrave para o aproveitamento pleno dos ganhos.
Dados da UNCTAD em 2024 apontam que deficiências logísticas elevam custos de comércio em até 50% acima da média global. Em contrapartida, a China tem ampliado investimentos em infraestrutura transfronteiriça como parte da Iniciativa do Rota da Seda.
Panorama de comércio
Estatísticas oficiais indicam um forte superávit da China com a África, chegando a US$ 102 bilhões em 2025, frente a 2024. A China tem ampliado exportações de bens de energia renovável e demais insumos, fortalecendo a relação comercial com o continente.
Analistas ressaltam que, além do comércio, aumentos de investimentos na África são prioridade para a China, que busca integrar as economias africanas à sua rede econômica. O objetivo é, segundo especialistas, contrabalançar políticas ocidentais de contenção.
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