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Equipe econômica propõe mudanças no texto do SUAS para reduzir impacto fiscal

Equipe econômica avança mudanças no texto do Suas para amenizar impacto fiscal, ao admitir despesas já realizadas no cálculo do piso de 1% da RCL com escalonamento

— Foto: Adriano Machado/Bloomberg
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  • A Câmara aprovou a PEC que institui o piso de 1% da Receita Corrente Líquida para o Suas; o texto segue para o Senado.
  • Mudanças permitem que despesas já realizadas no Suas sejam contabilizadas no piso, reduzindo o impacto fiscal no curto prazo.
  • Houve escalonamento para Estados e municípios: 0,3% no primeiro ano, 0,5% no segundo, 0,75% no terceiro, até atingir 1% no quarto ano.
  • O cálculo do piso considera apenas receitas próprias; recursos da União para a assistência social ficam de fora.
  • A proposta cria, pela primeira vez, piso constitucional para o financiamento da assistência social e destina recursos a serviços da rede socioassistencial, indo ao Senado; se aprovado, será promulgada pelo Congresso.

A equipe econômica do governo atuou para impedir a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o repasse mínimo de 1% da Receita Corrente Líquida da União para o Sistema Único de Assistência Social (Suas). Mesmo assim, o texto recebeu mudanças para amenizar o impacto fiscal.

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (29), a ampliação do que pode ser contabilizado para cumprir o piso da assistência social. Despesas já realizadas no âmbito do Suas passam a ser consideradas no cálculo do mínimo obrigatório. O Senado recebeu o texto em seguida.

Especialistas em contas públicas avaliam que a alteração reduz a pressão fiscal no curto prazo ao permitir a reclassificação de despesas existentes para atingir o piso. Pela versão anterior, essa possibilidade não existia.

Mudanças no cálculo e na transição

O acordo também estende a regra de transição a Estados e municípios. A aplicação passa a ocorrer de forma gradual: 0,3% no primeiro ano, 0,5% no segundo, 0,75% no terceiro, chegando a 1% no quarto ano. Antes, seria obrigatório cumprir o índice desde a promulgação.

Para os entes, o cálculo do piso leva em conta apenas as receitas próprias; recursos da União para a assistência social não entram na conta. A medida atenua o peso sobre muitas prefeituras, especialmente as de menor porte, que já estão acima de 1% na média.

A proposta mantém a anterior obrigatoriedade de trazer ao Suas serviços como Cras e Creas, destinados a pessoas em vulnerabilidade. Ficam fora do piso benefícios como BPC e programas de transferência de renda, incluindo o Bolsa Família.

Contexto e próximos passos

A União deverá descentralizar recursos para estados e municípios, acompanhando o ritmo da evolução do orçamento. A equipe econômica tentou evitar a votação, citando impacto orçamentário, enquanto a ala política reconheceu a popularidade do tema e buscou ajustes.

O texto segue para o Senado. Se aprovado, o Congresso Nacional promulga a emenda diretamente, sem sanção presidencial. O objetivo é criar um piso constitucional para o financiamento da assistência social e consolidar a garantia de renda mínima.

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