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Governo Milei classifica consumo de carne de burro como caso isolado

Governo argentino classifica como caso isolado o suposto consumo de carne de burro, associando-o ao aumento de preços da carne bovina e à migração do consumo para frango e porco

Açougueiros preparam carne para venda em mercado em Buenos Aires; alta dos preços tem impactado consumo no país
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  • O governo de Javier Milei negou que argentinos tenham começado a comer carne de burro, chamando o episódio de caso isolado.
  • A Casa Rosada informou, via Escritório de Resposta Oficial, que a venda piloto de carne de burro em Trelew amplifica apenas um caso isolado para prejudicar a imagem do país.
  • O autor da iniciativa, Julio Cittadini, disse que a ideia ocorreu por problemas na produção bovina devido à presença de predadores, não por preço.
  • Dados indicam alta nos preços da carne bovina (em torno de 68,6% nos principais centros) e queda de consumo per capita em março, de 3,7%, com produção 10% menor.
  • Explicações para o aumento de custo incluem seca, maior demanda internacional e maior foco de consumo em frango e porco; burros não são usados para consumo na Argentina.

O governo de Argentina afirma que não houve consumo generalizado de carne de burro no país, desmentindo a ideia após o aumento nos preços da carne bovina. A reação veio por meio do Escritório de Resposta Oficial, perfil da Casa Rosada no X, que classificou a notícia como caso isolado com potencial hostil à imagem da nação.

O episódio se originou de um piloto de venda de carne de burro por um produtor em Trelew, Patagônia. A iniciativa ganhou repercussão na imprensa local e internacional, associando a prática ao aumento do churrasco. O empresário Julio Cittadini diz ter apenas tentado uma solução diante de problemas com predadores na produção bovina.

A postagem governamental sustenta que o caso envolve apenas uma venda pontual de um produto pouco relacionado aos hábitos alimentares argentinos, afastando qualquer tendência de consumo maior do público.

Consumo e preços da carne

Apesar da desaceleração da inflação, o governo enfrenta pressões por custos elevados. Análise aponta inflação mensal de 3,4% e anual de 32,6%. No último ano, o preço da carne bovina subiu bastante, com aumentos médios de 68,6% nas regiões de Buenos Aires, Rosário e Córdoba, conforme IPCVA.

Entre fevereiro e março de 2026, houve alta de 10,6% nos preços de carne bovina. O consumo per capita recuou 3,7% no último ano, para 47,3 kg por pessoa. A produção do setor também caiu cerca de 10%.

Miguel Schiariti, presidente da Ciccra, explica que a queda no consumo decorre da diferença de custo entre criações de gado, frango e porco, que passaram a ser mais adquiridos pelos brasileiros. A suinocultura e a avicultura reduziram gastos com alimentação, elevando a eficiência.

Segundo o Centro de Economia Política Argentina, a seca dos últimos anos impactou a produção e houve maior demanda internacional por carne bovina, contribuindo para o elevação de preços. Os burros, no país, são usados apenas para transporte de carga, não como alimento.

A resposta oficial aponta que, em 2025, o consumo per capita de carnes, sem especificar o tipo, aumentou 3,85%, alcançando 116,4 kg por habitante. A Casa Rosada acrescenta que a produção suína registrou alta de 15,7% no primeiro trimestre de 2026.

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