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Mais de R$ 1,8 bilhão circulou entre empresas vazias e sócios da Fictor

Recuperação judicial da Fictor expõe rede de empréstimos entre grupo e sócios, com R$ 1,8 bilhão em dívidas e indícios de fraude e esvaziamento patrimonial

A Fictor está em recuperação judicial com dívidas de R$ 4,3 bilhões
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  • O NeoFeed teve acesso a mais de cinquenta documentos que apontam inconsistências contábeis e fluxo financeiro entre empresas do grupo Fictor e seus sócios, em recuperação judicial deferida há cerca de dez dias pela 3ª Vara de Falências de São Paulo.
  • Recursos captados teriam sido redistribuídos entre as empresas do grupo e os sócios por meio de empréstimos mútuos e adiantamentos sem registro contábil claro, com destaque para transações envolvendo o CEO Rafael Góis.
  • A dívida da Fictor com partes relacionadas subiu de quase zero, em 2024, para R$ 1,8 bilhão em 2025, e outras empresas do grupo teriam estruturas semelhantes, sugerindo movimentações intragrupo maiores.
  • Há indícios de esvaziamento patrimonial em várias empresas do grupo, como a Vensa Alimentos e a Dynamis Beleza, com retiradas de sócios e adiantamentos elevados sem geração de receita suficiente.
  • A investigação inclui uso de cartões de crédito em operações intercompany, auditoria judicial com possível substituição de auditor independente, e apuração sobre resgates de investidores que, segundo a empresa, ultrapassaram R$ 3 bilhões entre novembro e fevereiro.

O NeoFeed teve acesso a mais de 50 documentos de processos envolvendo a Fictor, na Justiça. Revelam inconsistências contábeis e fluxo financeiro entre a empresa e seus sócios, além de credores e operações intergrupo. A recuperação judicial foi deferida pela 3ª Vara de Falências de São Paulo.

A investigação aponta empréstimos entre empresas do grupo, adiantamentos sem registro claro e transferências que beneficiariam diretamente o CEO Rafael Góis. A dívida com partes relacionadas saltou de próximo de zero em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025, segundo a administradora Laspro.

Além disso, a Laspro indica que companhias ligadas à Fictor mostraram balanços com inconsistências e sinais de confusão patrimonial. Em alguns casos, houve esvaziamento de ativos por decisões de sócios e retiradas significativas de recursos.

O material aponta que o grupo financiou atividades internas por meio de contas de participação e empréstimos mútuos entre as empresas. O CEO Góis aparece no centro das movimentações de valores elevadas, com patrimônio pessoal supostamente aumentando de forma abrupta.

Segundo balanços, Góis teria dívida pessoal de R$ 173,1 milhões com a Fictor, enquanto a empresa registraria empréstimos mútuos de R$ 373 mil com ele. Os credores contestam esse conjunto de operações como indicativo de manipulação contábil.

Impressões de consultores de credores reforçam suspeitas de fraude e de mascaramento patrimonial. A defesa alega que o patrimônio do empresário cresceu de forma expressiva entre 2023 e 2024, com receitas declaradas de R$ 4,3 milhões e rendimentos isentos.

A PETIÇÃO também aponta que valores recebidos pela Fictor Holding via empréstimos entre partes podem não ter correspondência contábil, o que comprometeria a fidedignidade dos saldos. A Laspro solicita esclarecimentos sobre registros contábeis dessas operações.

Esvaziamento patrimonial em empresas do grupo é indicado pela Laspro. Em Vensa Alimentos Ltda., houve retiradas crescentes do sócio administrador, mesmo com prejuízos operacionais. Em Dynamis Beleza, adiantamentos de R$ 30,6 milhões em 2025 chamam atenção pela coincidência com baixo faturamento.

Relatórios indicam que parte das empresas apresentou pouca ou nenhuma geração de receita, apesar de movimentações financeiras relevantes. Em alguns casos, não houve acesso total às dependências, o que limitou a verificação de atividades.

O uso de cartões de crédito também aparece nos documentos. A Fictor Holding teria R$ 506,9 milhões a receber em operações com cartões B2B da American Express, com parte dessas operações associada à Est3lar 01. A American Express, porém, nega ser credora da Fictor.

Em março, a Polícia Federal cumpriu mandados em investigação ligada ao grupo, com suspeita de envolvimento com o crime organizado. A PF investiga a empresa desde 2023 e já dialogou com a CVM.

Com a recuperação judicial, a Laspro passa a acompanhar as operações com maior rigor, informando ao juiz e aos credores. Foi determinado o uso de um watchdog para revisar dados da Fictor, com a PwC indicada inicialmente, mas sem continuidade do serviço.

Enquanto isso, investidores que acreditaram em promessas de retorno mensal seguem sem resgatar recursos desde dezembro do ano passado. Entre novembro e fevereiro, pedidos de resgate teriam superado R$ 3 bilhões, segundo a empresa.

AFiliatória pública dos fatos aponta ainda que houve busca por aquisição do Banco Master dias antes de sua liquidação pelo BC, alimentando dúvidas sobre o fluxo de recursos no grupo. Procuradas, a Fictor e a American Express não comentaram.

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