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Petróleo e fretes com guerra no Irã elevam custos e mantêm preço do minério

Alta de petróleo e fretes eleva custos da indústria de minério, mas mantém oferta estável e sustenta preços, afirma a Vale

Vista da área de mineração Cauê, da empresa Vale, em Itabira, Minas Gerais
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  • A alta do petróleo e dos fretes elevou os custos da produção de minério de ferro, entre US$ cinco e US$ dez por tonelada, aproximando a possibilidade de geração de caixa negativa para cerca de 50 milhões de toneladas no mundo.
  • A Vale adotou hedge para Brent acima de US$ eighty por barril, cobrindo cerca de setenta por cento da demanda de bunker em 2026, e reduziu a exposição ao mercado spot de bunker para menos de cinco por cento.
  • A empresa aumentou o nível de contratação de frete da frota de navios para quase cem por cento, visando maior previsibilidade das operações.
  • A produção nas plantas de pelotização em Omã foi interrompida em março para manutenção anual programada; parte do pellet feed destinado a Omã será redirecionado para Tubarão, sem impactar a produção anual de pelotas.
  • Em termos de oferta, a guerra no Irã teve efeito neutro: a produção de aço na região permanece estável, com uso de estoque de sucata e pelotas; na China, a produção de aço bruto está estável com alta utilização de cerca de noventa por cento.

A alta de preços do petróleo e dos fretes marítimos, associada à guerra no Irã, eleva os custos de produção de minério de ferro e sustenta os preços da commodity. A Vale informou isso durante conferência com investidores nesta quarta-feira.

Segundo o vice-presidente executivo de Comercial e Desenvolvimento, Rogério Nogueira, os custos médios da indústria subiram entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada, o que, para alguns produtores marginais, pode chegar a mais de US$ 10. O efeito, dizem os executivos, é um suporte aos preços atuais.

A Vale destacou que o aumento de US$ 10 por tonelada pode levar metade da produção global de minério a operar com fluxo de caixa negativo. Ao mesmo tempo, o cenário tende a manter o equilíbrio entre oferta e demanda, mantendo os preços do minério.

Mudança de tema: gestão de custos e hedge

A companhia explicou que compensou parte da desvantagem logística com um programa de hedge que protege o preço do petróleo Brent acima de US$ 80 por barril para cerca de 70% da demanda de bunker em 2026. A exposição ao mercado spot de bunker foi reduzida para menos de 5% neste ano.

A Vale também detalhou medidas de gestão de frota: a contratação de frete subiu para quase 100%, aumentando a previsibilidade de caixa. O objetivo é reduzir impactos de volatilidade nos custos logísticos.

Operação no Oriente Médio e produção de pelotas

Na região, a produção nas plantas de pelotização de Omã foi interrompida em março para manutenção anual programada, com antecipação de trabalhos. A empresa afirmou que o cronograma não afeta a produção anual de pelotas e que parte do pellet feed destinado a Omã será redirecionado a Tubarão, onde há capacidade ociosa.

Sobre a oferta global, a guerra no Irã teve efeito neutro, uma vez que a produção de aço na região permanece estável, com o Irã reduzindo a produção de aço bruto. Clientes no exterior mantêm a produção, segundo a Vale.

Perspectivas de mercado

A Vale aponta equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de pelotas e prevê prêmios estáveis ou ligeiramente acima no próximo trimestre. Na China, a produção de aço bruto segue estável, com utilização de altos-fornos em torno de 90%.

Fora da China, a empresa avalia um mercado geral estável, apesar de variações regionais, e mantém perspectivas de preços equilibrados. A companhia reforça a expectativa de exoneração de impactos significativos para o fornecimento global de minério de ferro.

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