- Acionistas do Banco do Brasil aprovaram aumentar o capital autorizado para R$ 150 bi, sem emissão de ações neste momento.
- A medida é vista como prudente diante do maior custo de crédito, segundo uma fonte próxima ao tema citada pela Bloomberg News.
- O capital social atual é de R$ 120 bi, o que consumia o limite anterior; aumento de capital foi discutido no ano passado devido à inadimplência e a resultados fracos.
- O BB já adotou medidas como reduzir a distribuição de lucros e endurecer regras de crédito, inclusive no rural; a expansão do crédito consignado ajudou a melhorar os resultados.
- A inadimplência no crédito agro atingiu recorde; o Banco do Brasil responde por mais de 50% do mercado; resultados do primeiro trimestre devem ser divulgados em meados de maio, com expectativa de lucro líquido ajustado de R$ 3,52 bi para o ano.
O Conselho de Acionistas do Banco do Brasil aprovou a elevação do capital autorizado da instituição para 150 bilhões de reais, em meio a pressões no setor do agronegócio. A decisão ocorre sem que haja, neste momento, um plano de emissão de ações para captação de recurso.
A medida é vista como prudente diante do aumento do custo de crédito e da deterioração da qualidade de crédito de produtores rurais. A conclusão foi compartilhada por uma fonte familiarizada com o tema, que falou sob condição de anonimato à Bloomberg News.
O BB informou, por e-mail, que a decisão é uma medida para resguardar o capital, e que não há necessidade de ações adicionais ou debates sobre novo aumento de capital. As projeções apontam reforço gradual dos níveis de capital.
Contexto do setor e impactos no BB
O capital social atual do banco é de 120 bilhões de reais, o que já consome o limite anterior. O banco discutiu a necessidade de aumento no ano passado, em função da inadimplência e de resultados abaixo do esperado.
Para conter riscos, o BB reduziu a distribuição de lucro e ajustou condições de crédito, principalmente no crédito rural. A instituição também ampliou o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, além de consolidar liderança no consignado para servidores.
A inadimplência do crédito agro bateu recordes no início deste ano, segundo dados do Banco Central, com o BB respondendo por mais de 50% do crédito rural. Produtores enfrentaram dívidas mais caras após a pandemia e um ciclo de alta de juros.
Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócios, afirmou que carteiras com alienação fiduciária mostraram melhoria na adimplência nos primeiros dias de abril. Ele ressaltou que operações mais recentes representam cerca de 20% do volume atual em algumas linhas.
A instituição espera que os resultados permaneçam sob pressão no curto prazo, pois empréstimos antigos concentram a maior parte do risco. Ainda assim, operações mais novas já exibem melhor desempenho no pagamento. O Banco do Brasil deve divulgar o resultado do primeiro trimestre em meados de maio.
Analistas consultados pela Bloomberg estimam lucro líquido ajustado de cerca de 3,52 bilhões de reais para este ano, uma queda de aproximadamente 52% frente ao mesmo período do ano anterior. A projeção já foi revisada para baixo nas últimas quatro semanas.
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