- O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor a partir de 1º de maio, com tarifas reduzidas ou zeradas para exportação entre os quatro países sul‑americanos e os 27 da UE, atingindo um mercado de cerca de 718 milhões de consumidores e PIB superior a US$ 22 trilhões.
- O Paraguai vem se tornando atrativo para empresas brasileiras pela Lei de Maquila, com imposto único de exportação de 1%, isenção de impostos para insumos, custos operacionais até 40% menores e mão de obra mais barata, somados ao regime “triplo 10” (10% de IVA, 10% de IR empresarial, 10% de IR pessoa física).
- Os setores mais beneficiados são aqueles com maior presença brasileira no Paraguai — têxtil, calçados, iluminação e manufatura leve — que terão tarifa zero imediata na UE, ampliando escala e competitividade internacional.
- Exemplos de empresas envolvidas: Lupo e Lunelli (têxtil), Buddemeyer (artigos têxteis), Koumei (iluminação) e Be8 (biocombustíveis), com planta em Villeta para produzir HVO e SAF; o lançamento Be8 BeVant gerou expectativa de redução de CO₂ de cerca de noventa e nove por cento em comparação ao diesel fóssil.
- Mesmo com vantagens, há entraves: muitas empresas migraram para o Paraguai mirando o Brasil e ainda não planejaram expansão para a UE; casos como Estrela e Condor mostraram que nem sempre a maquila compensa, haja logística e competição com indústrias asiáticas.
A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia facilita a exportação com tarifas reduzidas ou zeradas. O acordo vale a partir de 1º de maio, ampliando o comércio entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e os 27 países da UE.
Paraguai se tornou atrativo para empresas brasileiras, pela Lei de Maquila e pela estrutura de custos competitiva. Empresas instaladas no país desfrutam de alíquotas reduzidas, isenções de insumos e condições de mão de obra mais baratas, o que eleva a competitividade para exportar à UE.
Entre os benefícios, constam impostos sobre exportação em 1% sobre o valor agregado e uma soma de tributos relativamente baixa, mesmo com a tributação corporativa modesta. O regime é visto como vantagem estratégica para quem busca produção com foco tanto no Mercosul quanto no mercado europeu.
O impacto já é sentido em setores que migraram parte da produção para o Paraguai, como têxtil, calçados, iluminação e manufatura leve. Empresas brasileiras instaladas no país passam a ter acesso a tarifas zero na UE para seus produtos, ampliando possibilidades de escalabilidade internacional.
A Lupo, grupo têxtil de Araraquara, investiu em Ciudad del Este para reduzir custos e manter o atendimento ao Mercosul. A planta brasileira opera com foco no mercado regional, sem planejamento imediato de exportação para a UE, segundo o diretor da companhia.
Outras estrelas da instalação paraguaia incluem Buddemeyer (linhas têxteis), Koumei (iluminação), Fiasul (textil gaúcha) e Efisa (embalagens). Essas empresas apresentaram planos de ampliar operações no Paraguai para ganhar escala e competitividade global.
Be8, fabricante brasileira de biocombustíveis avançados, já atua no Paraguai com a Omega Green, visando produção de diesel verde e SAF para a Europa. A planta em Villeta já prepara a oferta de HVO e combustíveis para aviação, com foco em demanda europeia.
A Be8 apresentou na Feira de Hannover um novo biocombustível, com testes que mostraram redução de CO2 de cerca de 99% em comparação ao diesel fóssil, chamando a atenção do setor europeu de transporte pesado.
Entretanto, nem todas as empresas brasileiras que migraram para o Paraguai planejam expansão imediata para a UE. Muitos, na prática, priorizam o Brasil e o Mercosul, mantendo a Europa como uma possibilidade de médio a longo prazo.
A Lupo, por exemplo, afirma que a unidade paraguaia foi pensada para reforçar o abastecimento ao Mercosul e ao Brasil, com exportações ainda representando parcela modesta do faturamento. A expansão para a UE depende de planejamento estratégico e demanda adicional.
Outras companhias também ponderam custos logísticos e competitividade frente a produtores asiáticos. Empresas de vassouras, brinquedos e utensílios avaliam se o custo-benefício da Maquila se sustenta diante de desafios logísticos e da presença de fabricantes com cadeia integrada na região.
Entre na conversa da comunidade