- Produtores buscam alternativas ao financiamento na Agrishow, como consórcios, locação e compra de seminovos, devido a juros altos e crédito escasso.
- Em Catalão, Goiás, a produtora Patrícia Marra planeja renovar máquinas sem financiar, avaliando consórcio com duas grandes empresas do setor.
- Revendas relatam demanda crescente por consórcios: em Água Boa, Mato Grosso, a carteira de clientes quase triplicou nos últimos cinco anos.
- A Primo Rossi informou crescimento de 70% nas vendas de consórcios na Agrishow deste ano em relação a 2025, respondendo por cerca de 12% dos tratos da Case no Brasil.
- Além de consórcios, exposições oferecem locação de máquinas e venda de seminovos; a Armac evidencia disponibilidade de cerca de 12 mil, com contratos variados de curto a longo prazo.
Patrícia Marra, produtora rural de Catalão (GO), busca renovar o conjunto de plantadeiras, tratores e descompactadores de solo, mas sem recorrer ao financiamento devido aos altos juros. Ela atua em uma área de 1,3 mil hectares, cultivando milho e soja no verão e sorgo no inverno.
A busca por alternativas acontece na Agrishow, feira de tecnologia agrícola que começou na segunda-feira, 27, e segue até sexta-feira, 1º, em Ribeirão Preto (SP). A produtora participa para avaliar opções de consórcio oferecidas por grandes fabricantes.
Para gestores do setor, o momento envolve custo de fertilizantes elevado e recuo de preços das commodities, o que aumenta a cautela na aquisição de máquinas novas. O objetivo é manter a produtividade sem comprometer o caixa com financiamentos onerosos.
Crescimento do consórcio e impactos no mercado
Gerson Garbuio, da Agritex, revendedora da Case IH em Água Boa (MT), projeta maior procura em relação a 2025. A carteira de consórcios da loja subiu de 30 para 300 nos últimos cinco anos, com expectativa de avanço entre 20% e 30% nos próximos anos. O consórcio oferece compra programada, com menos juros que o financiamento, mas depende de lances para contemplação.
A Primo Rossi, administradora de consórcios Case, registrou alta de 70% nas vendas nos primeiros quatro dias da Agrishow em comparação com 2025. A empresa representa cerca de 12% do volume anual de entregas de tratores Case no Brasil. Segundo Mônica Rossi, a modalidade pode complementar a aquisição, com clientes usando cotas para financiar ou quitar bens no futuro.
Dados da Abac mostram evolução do setor: entre 2024 e 2025 houve aumento de 7,7% no número de participantes ativos, 14,2% em créditos disponibilizados, 13,7% em vendas de cotas e 5,8% em contemplações. As estatísticas indicam expansão relevante no consumo de consórcios.
Locação, seminovos e novas oportunidades
A Armac atua com locação e venda de seminovos, ampliando alternativas para produtores. A empresa compra máquinas da linha amarela de várias marcas e as aluga por curto, médio e longo prazo, com períodos entre 7 dias e 5 anos. Um parque com cerca de 12 mil máquinas atende à demanda.
A estratégia da Armac vem crescendo: entre 2025 e 2026, a demanda pela locação aumentou cerca de 28%. Marion Karr, diretora de Negócios, destaca que a locação evita desembolso imediato e permite manter a produção. Em caso de quebra, a empresa oferece manutenção e substituição de equipamentos.
Além da locação, a Armac amplia a oferta de seminovos, com máquinas que já haviam sido locadas voltando ao mercado a preços reduzidos. A opção facilita para produtores que desejam ter a máquina própria sem investir em equipamento novo.
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