- A Viridis Mining, empresa listada na bolsa australiana, investe no projeto Colosso em Poços de Caldas (MG) para terras raras, com produção prevista para 2028; já foram investidos cerca de US$ 50 milhões, e estão previstos mais US$ 370 milhões até a operação plena.
- O Brasil tem potencial para virar polo de terras raras e ter processamento local, substituindo parte da China, mas o CEO da Viridis afirma que não pode haver estatal TerraBrás; é preciso atrair investimento e desenvolver a cadeia de valor no País.
- O Congresso discute a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos; o relator na Câmara, deputado Arnaldo Jardim, deve apresentar a proposta para debate em 4 de maio; o PT defende TerraBrás, com regime de partilha de produção, mas a ideia enfrenta ceticismo.
- A Viridis busca contratos de fornecimento fora da China desde o início, mirando montadoras e fabricantes de turbinas; há tratativas com bancos públicos como o BNDES para financiamento e contratos de venda da produção.
- O projeto Colosso envolve argila iônica, com teor elevado e custos operacionais baixos; a licença ambiental está prevista para o segundo semestre, e a empresa aposta em ser um dos projetos mais rentáveis do setor global de terras raras.
O Brasil tem potencial para se tornar um polo de terras raras, com mira na cadeia de refino local e na substituição da China para parte do Ocidente. No entanto, a criação da estatal TerraBrás é apontada como risco para o projeto.
A Viridis Mining, empresa listada na bolsa australiana, aposta em Poços de Caldas (MG) com investimentos bilionários. A produção está prevista para começar em 2028, conforme o CEO Rafael Moreno.
Moreno afirmou ao Brazil Journal que o Brasil precisa de tecnologia e de investimento estrangeiro para formar a cadeia de valor. Segundo ele, depender de uma estatal pode inibir capital externo.
A estratégia da Viridis vai além da mineração: pretende atrair a cadeia de processamento para o Brasil e já mantém conversas com indústrias nacionais para abastecê-las com terras raras refinadas localmente.
Essa visão envolve ampliar o mercado além do domínio doméstico, alcançando América do Sul, América do Norte e outras regiões, aproximando-se de modelos de referência como a China, segundo Moreno.
Entre potenciais clientes, a Viridis cita montadoras de veículos elétricos no Brasil e fabricantes de turbinas e equipamentos, com expectativa de demanda aquecida assim que a cadeia local esteja operando.
O executivo afirmou ter confiança de que a demanda virá localmente uma vez que a produção esteja estabelecida no país. O relato também aponta que o cenário estatal poderia gerar incertezas.
Atualmente, Congresso e Governo discutem uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O relator na Câmara, deputado Arnaldo Jardim, pretende apresentar a proposta em 4 de maio.
O PT defende a TerraBrás para gerir o setor e propõe regime de partilha de produção, similar ao modelo do pré-sal. A ideia tem resistências dentro e fora do governo.
Para a Viridis, atrair investimentos depende de confiança na continuidade da mineração, e não de estatização. Moreno reforça que a decisão precisa ocorrer sem demora.
Segundo ele, o Brasil compete com países como Austrália e partes da África pela liderança na cadeia de terras raras, com espaço limitado para todos os players.
Até agora, a Viridis já investiu cerca de US$ 50 milhões no projeto e busca licença ambiental de instalação para o segundo semestre. A primeira fase deve começar em 2028.
A empresa planeja desembolsar mais US$ 370 milhões até atingir a capacidade total no fim de 2028. O financiamento inclui conversas com o BNDES e contratos de venda da produção.
O projeto Colosso, em Poços de Caldas, envolve reservas de argila iônica, cujo processamento é mais simples e de custo menor que rocha dura, favorecendo o ritmo de implantação.
A Viridis adquiriu os direitos sobre as reservas em agosto de 2023. A atuação local é vista como vantagem por manter mão de obra, fornecedores e infraestrutura já existentes na região.
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