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China elimina tarifas para quase todos os países africanos

China elimina tarifas para 53 países africanos, exceto Eswatini, ampliando acesso ao mercado até 2028, mas o déficit com a África persiste

Sino-African trade is marked by a growing imbalance in China's favour
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  • a china vai eliminar tarifas alfandegárias para todos os países africanos a partir de sexta-feira, exceto Eswatini, que mantém relações com Taiwan.
  • a política de zero tarifas já se expandiu de 33 para 53 nações africanas e vale até 30 de abril de 2028.
  • analistas apontam que a medida pode ampliar as exportações agrícolas da África e elevar renda rural, mas o déficit comercial com a china continua grande e vem aumentando.
  • os principais parceiros comerciais na região são angola, república democrátic­a do congo e suláfrica, com ganhos potencialmente desiguais entre países mais desenvolvidos.
  • a exclusão de Eswatini é vista como movimento político com impacto econômico limitado, mas pode ter implicações diplomáticas envolvendo Taiwan.

O governo da China anunciou que eliminará tarifas de importação para todas as nações africanas a partir de sexta-feira, exceto Eswatini, que mantém vínculos com Taiwan. A medida faz parte de uma política de isenção de impostos para o continente.

Até dezembro de 2024, a China já oferecia isenção para 33 países africanos menos desenvolvidos. A ampliação leva a 53 países beneficiados, com validade até 30 de abril de 2028. O que ocorrerá após esse prazo não está claro.

Beijing afirma ser a primeira grande economia a estender tratamento de zero tarifas de forma unilateral à África. Analistas, porém, lembram que tarifas não costumam ser o principal obstáculo para exportação africana.

O que está em jogo

A expansão do regime de zero tarifas pode ampliar as exportações agrícolas africanas, elevando renda rural e produtividade local, segundo especialistas. Ainda assim, o comércio entre África e China segue com desequilíbrio favorável à China.

O déficit da África com a China subiu 65% no ano passado, para cerca de US$ 102 bilhões. As exportações africanas concentram-se em minerais e matérias-primas, como petróleo e minérios.

Os maiores parceiros na região continuam a ser Angola, pela energia, a República Democrática do Congo e a África do Sul, com impactos ainda incertos para economias diferentes entre si.

Limites da medida

Especialistas lembram que a isenção por si só não resolve necessidades estruturais da África, como capacidade industrial, logística e diversificação de produção. A política não aborda plenamente o acesso a indústrias de maior valor agregado.

Alguns analistas apontam que economias mais desenvolvidas, como África do Sul e Marrocos, devem ter melhor capacidade para ampliar exportações. A questão, dizem, envolve políticas industriais complementares.

Outros ressaltam que mudanças no consumo chinês podem abrir novos mercados para produtores africanos, como café, cacau e nozes, evoluções que vão além do comércio de commodities.

Eswatini e o fator político

A exclusão de Eswatini, país semische de relações com Taiwan, é vista como movimento político com impacto econômico limitado. Alguns especialistas sugerem que poderá favorecer negociações com Taiwan.

O país africano está entre 12 com relações diplomáticas com Taiwan, apoiado pela China, que considera Taiwan como província. A decisão é interpretada como demonstração de influência de Pequim.

Especialistas apontam que a decisão evidencia condicionantes políticos nas relações entre África, China e Taiwan, com possíveis repercussões diplomáticas continentais.

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