- O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Frente Corretora de Câmbio S.A. nesta quinta-feira (30).
- Em 2025, o rombo da empresa chegou a quase R$ 24 milhões, com prejuízos no segundo semestre de R$ 3,6 milhões e Basileia negativa de 3,10%; no primeiro semestre, o prejuízo já era de R$ 20,2 milhões.
- O balanço de 2025 não foi divulgado, mas o BC aponta plano de reenquadramento e ressalvas no balanço, apresentados pela diretoria.
- A auditoria Tríade Auditores e Consultores fez quatro ressalvas no relatório: sobre saldo de operações de câmbio, saldo de ordem no exterior a cumprir, saldo de operação de câmbio a boletar e IRRF de operações de câmbio.
- A Frente foi criada em 2016 por Carlos Brown, Ricardo Baraçal, Daniela Marchiori e Altino Pavan; em 2022 a Travelex passou a deter 10% da corretora, que não conseguiu manter participação de mercado e não obtinha selo de conformidade da Abracam.
A Frente Corretora de Câmbio S.A. teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (30). O BC informou que a medida foi adotada diante de prejuízos acumulados e de problemas de capitalização da empresa, que operava no mercado cambiário.
Segundo dados do sistema IFData do Banco Central, a corretora registrou prejuízo de R$ 3,6 milhões no segundo semestre de 2025, encerrando o ano com um índice de Basileia negativo de 3,10%. No primeiro semestre, o rombo já somava R$ 20,2 milhões. A instituição não divulgou o balanço de 2025 completo.
O balanço parcial aponta situação líquida ajustada negativa e descumprimento no requerimento de patrimônio de referência. Em 30 de setembro de 2025, a diretoria apresentou um plano de reenquadramento para regularizar os índices, processo que ainda tramita para homologação junto ao Banco Central. O documento foi auditado pela Tríade Auditores.
A Tríade emitiu quatro ressalvas: sobre o saldo de operações de câmbio, o saldo de ordens no exterior a cumprir, o saldo de operações de câmbio a boletar e o IRRF de operações de câmbio. A firma destacou ainda que havia um saldo de operações de câmbio a boletar de cerca de R$ 20,6 milhões sem a devida documentação suporte.
A Frente foi criada em 2016 por Carlos Brown, Ricardo Baraçal, Daniela Marchiori e Altino Pavan, que deixou a sociedade em 2024. Brown e Baraçal haviam atuado na XP; o grupo comprou a Frente, que já possuía licença de corretora, para explorar o mercado de câmbio. Em 2022 a Travelex passou a deter 10% da empresa, com possibilidade de ampliar participação.
Fontes do mercado apontam que a corretora perdeu participação de mercado de 2024 para 2025 e enfrentava custos elevados. Também há relatos de dificuldades para obter o selo de conformidade da Abracam, indicação de que havia problemas operacionais internos. Frente e Travelex não comentaram oficialmente o caso.
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