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Despesa com juros da dívida deve atingir recorde no governo Lula

Despesa com juros da dívida atinge R$ 1,08 trilhão em doze meses, equivalentes a 7,64% do PIB, recorde no terceiro mandato de Lula

O Banco Central divulgou nesta 5ª feira (30.abr.2026) que o gasto com juros atingiu R$ 1,08 trilhão no acumulado de 12 meses até março
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  • O gasto com juros da dívida do setor público consolidado atingiu R$ 1,08 trilhão nos 12 meses encerrados em março, o maior valor anualizado da série histórica.
  • A despesa média com juros deve ficar em 7,64% do PIB no terceiro mandato de Lula, a maior parcela já computada.
  • O pico anterior ocorreu entre 2003 e 2006, com 7,25% do PIB; o menor patamar histórico foi sob Bolsonaro, em 4,97%.
  • A Selic estava em 15% ao ano em junho de 2025 e caiu para 14,50% ao ano em 29 de abril de 2026.
  • Histórico anual de gastos com juros: 2023, -6,56% do PIB; 2024, -8,07%; 2025, -7,91%; 2026, -8,0% (estimativa do Boletim Focus).

O gasto com juros da dívida pública alcançou 1,08 trilhão de reais nos 12 meses encerrados em março, segundo o Banco Central. A despesa consolidada do setor público atingiu nível recorde, elevando o peso dos juros sobre o PIB.

A despesa média com juros no 3º governo Lula fica em 7,64% do PIB, segundo as projeções. O patamar é superior ao registrado no 1º mandato de Lula, entre 2003 e 2006, quando ficou em 7,25% do PIB.

O menor patamar na história ocorreu durante a gestão de Jair Bolsonaro, com 4,97% do PIB. A pandemia elevou os gastos ao atravessar o juro-base para 2% ao ano, para estimular a economia.

O valor de 1,08 trilhão de reais representa a maior cifra anualizada em termos nominais da série histórica. Em fevereiro, a despesa anual somava 1,037 trilhão; em março de 2025, ficou em 935 bilhões.

O presidente Lula atribuiu parte da elevação aos juros a decisões do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. As críticas se estenderam ao longo de 2023 e 2024, atingindo também o gabinete do BC.

Gabriel Galípolo, indicado pelo governo para o comando do BC, foi poupado de críticas diretas de Lula, apesar do voto pela alta da Selic. O juro básico ficou em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.

O Copom reduziu a taxa Selic para 14,50% ao ano na reunião de 29 de abril de 2026, mantendo o aperto monetário para conter a inflação. A inflação medida pelo IPCA ficou em 4,14% em março, segundo dados oficiais.

Histórico anual de gastos com juros no governo Lula:

  • 2023: 6,56% do PIB
  • 2024: 8,07% do PIB
  • 2025: 7,91% do PIB
  • 2026 (estimativa): 8,0% do PIB, conforme o Boletim Focus

Política monetária

Especialistas avaliam que a Selic elevada ajuda a reduzir a demanda para controlar a inflação, que deve encerrar o ano acima da meta de 3%. A projeção do IPCA é de 4,86% até o fim de 2026, pela Focus.

A meta de inflação é de 3%, com tolerância de até 4,5%. Caso o IPCA ultrapasse 4,5% por seis meses, o BC pode emitir uma carta explicando o descumprimento.

A visão de economistas aponta para o desequilíbrio fiscal como justificativa adicional para juros altos. A ausência de reformas estruturais é citada como fator que pressiona as taxas de longo prazo.

Aliados do governo veem a alta da Selic como obstáculo ao crescimento e como benefício aos rentistas do setor financeiro. Observa-se, porém, que a inflação atingiu patamar considerado baixo para um mandato.

O PT criticou decisões de política monetária com base nas projeções do Boletim Focus, afirmando que analistas do sistema financeiro não equivalem ao BC. O BC argumenta que a autonomia não depende de essej de apenas um grupo.

Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, defende que o órgão possui coesão em suas decisões e que não há influência indevida de bancos sobre o relatório Focus.

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