- A dívida bruta do governo geral chegou a 80,1% do PIB em março, o maior nível desde julho de 2021.
- Houve alta de 1,4 ponto percentual no acumulado de dezembro a março; no governo Lula, a alta foi de 8,7 p.p.
- A DBGG alcançou R$ 10,4 trilhões em termos nominais em março.
- O aumento mensal decorreu principalmente de juros nominais, emissão líquida de dívida e desvalorização cambial, com queda do PIB nominal atuando no sentido contrário. No acumulado do ano, juros nominais e emissões elevaram a dívida, enquanto o crescimento do PIB nominal freou o índice.
- O gasto com juros da dívida chegou a R$ 1,08 trilhão em março, e o deficit primário anualizado ficou em R$ 137,1 bilhões.
A dívida bruta do Brasil atingiu 80,1% do PIB em março, o maior nível desde julho de 2021, segundo o Banco Central. A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (30/04/2026). O patamar confirma a trajetória de alta desde o final de 2023.
A relação dívida-PIB subiu 1,4 ponto percentual no acumulado de dezembro a março. No governo Lula, o aumento acumulado chegou a 8,7 pontos percentuais, impulsionado pelos gastos para enfrentar a crise causada pela pandemia e pela recuperação gradual da economia.
No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 661,8 bilhões em outubro de 2020, período em que a Selic estava em 2% ao ano. Dados atuais mostram juros elevados puxando o gasto financeiro.
Fatores que influenciaram o aumento da dívida
A alta mensal decorreu de gastos com juros nominais (+0,9 p.p.), emissão líquida de dívida (+0,4 p.p.) e efeito da desvalorização cambial (+0,1 p.p.). A variação do PIB nominal exerceu efeito negativo de -0,5 p.p.
Ao longo do ano, o incremento total de 1,4 p.p. foi influenciado por gastos com juros nominais (+2,4 p.p.), emissões líquidas de dívida (+0,4 p.p.) e valorização do PIB nominal (-1,2 p.p.). O efeito cambial acumulado foi de -0,2 p.p.
A dívida bruta compreende o governo federal, o INSS e as administrações estaduais e municipais, segundo o BC. Em março, o valor nominal da dívida chegou a R$ 10,4 trilhões, apontando para o peso de juros na despesa pública.
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