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Empresas adotam jornada 6×1 e relatam impactos em faturamento e equipes

Empresas testam jornadas 4x3 e 5x2, buscando reduzir horas, aumentar faturamento e retenção, e ampliar engajamento sem comprometer operação

Carteira de trabalho digital — Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
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  • O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou espaço, com governo discutindo semana de 40 horas e fim da escala 6×1; empresas de menor porte vêm testando 5×2 e 4×3 para manter eficiência, produção e retenção de talentos.
  • Na Academia do Café, em Belo Horizonte, a escala 4×3 foi adotada em março de 2026 para baristas, eliminando dependência de freelancers de fim de semana e aumentando a equipe fixa.
  • O Coffee Lab, em São Paulo, adotou a escala 4×3 em julho de 2025, reduziu a carga horária de 44 para 40 horas semanais e registrou 35% de crescimento em 2025, mantendo salários.
  • O Café Porto Farrô, em Porto Alegre, também mudou para 4×3 em abril de 2026, com possibilidade de até doze dias de folga por mês a cada seis semanas, fator que depende de planejamento para não comprometer o faturamento.
  • Outros exemplos incluem o Supermercado Revolução (Campinas/Indaiatuba) com 5×2 atraindo talentos; a rede Enxuto (Cosmópolis) em 5×2 sem novas contratações; a cooperativa Coocerqui (Porto Feliz) com 5×2 em implantação e expansão; além de bares em Goiânia que adotam 4×3 para setores como cozinha e atendimento.

O tema da redução da jornada de trabalho ganha espaço no Brasil, em especial com propostas em discussão no Congresso para a semana de 40 horas e fim da escala 6×1. Pequenas e médias empresas já testam modelos como 5×2 e 4×3, buscando eficiência, retenção e equilíbrio operacional. Em 2026, empresas de diversos setores relatam impactos em custos, produtividade e organização de equipes.

A implementação ocorre antes de qualquer definição legal. O objetivo é manter o nível de serviço enquanto se busca engajamento e redução de turnover. Este movimento transforma a jornada de trabalho em variável estratégica do negócio, não apenas em custo a administrar.

Resultados percentuais e impactos operacionais

Na Academia do Café, em Belo Horizonte, a mudança para 4×3 foi adotada em março de 2026 para 11 colaboradores. A proprietária destaca melhoria na troca de turnos e na consistência de escala, com menos dependência de freelancers.

No Coffee Lab, em São Paulo, a escala 4×3, adotada em julho de 2025, reorganizou 31 funcionários. A empresa manteve salários, reduziu horas de 44 para 40 semanais e aponta crescimento de 35% em 2025, mesmo com queda no setor de alimentação.

Casos em expansão e peculiaridades

Em Porto Alegre, o Café Porto Farrô migrou para 4×3 em abril de 2026. O fundador ampliou a equipe para 12 e assegura dias de folga consecutivos a cada seis semanas, destacando planejamento para manter faturamento.

No setor de varejo, o Supermercado Revolução, com cinco lojas em Campinas e Indaiatuba, adotou 5×2 entre 2026. O consultor de marketing aponta atração de talentos e redução do tempo de deslocamento como ganhos diretos.

A rede Enxuto, com 60 anos de atuação, implementou 5×2 em Cosmópolis em março de 2026, promovendo redesenho de jornadas para 104 trabalhadores sem novas contratações.

Cooperativa e bares como laboratório

A Cooperativa Coocerqui, com quatro cidades, iniciou 5×2 em Porto Feliz em abril. O diretor geral frisa diálogo com o sindicato e ajustes prévios no horário para facilitar a transição, com plano de expansão.

Bares Zé Latinhas e Maria Garrafinhas, em Goiânia, operam com 4×3 desde a gestão de 2020. A rede prioriza jornadas que cobrem quinta a domingo, mantendo funcionamento sem fechamento adicional.

Boas práticas e orientação técnica

Especialistas ressaltam que gestão profissional e planejamento financeiro são pilares. O professor de inovação do Insper destaca que tecnologias digitais podem tornar a mudança mais eficiente, associada à NR-1 e a mentorias.

Advogados indicam formalização por escrito, aditivos contratuais e projetos-piloto para testar viabilidade. O monitoramento de indicadores como produtividade, assiduidade e estresse é essencial para avaliar o sucesso da nova escala.

Perspectivas para 2026

As empresas pesquisadas veem a jornada de trabalho como ferramenta estratégica, com potencial de melhorar desempenho e satisfação. A tendência indica que, com planejamento adequado, é possível manter faturamento estável ou crescente em ambientes com jornadas reduzidas.

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