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Estímulos mantêm economia aquecida, pressionam inflação e dificultam o BC

Mercado aponta hiato do produto acima do potencial, pressionando a inflação e atrasando a redução da taxa básica do Banco Central

Sede do Banco Central, em Brasília
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  • Estímulos à economia devem manter o crescimento acima do potencial por mais tempo, aumentando a pressão sobre os preços e dificultando o trabalho do Banco Central.
  • O mercado diverge do BC e avalia que o hiato do produto pode permanecer positivo até o fim deste ano, entrando no negativo apenas no segundo semestre de 2027.
  • O BC reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, com a expectativa de inflação converge para a meta de três por cento à medida que a economia retorna ao seu equilíbrio.
  • As previsões variam: XP Investimentos aponta hiato entre zero e dois décimos de ponto percentual no primeiro trimestre; o Relatório de Política Monetária também indicava hiato positivo no primeiro trimestre e negativo a partir de 2027.
  • Além disso, medidas como Desenrola 2.0, pagamentos de precatórios, antecipação do décimo terceiro para aposentados e novas linhas de crédito indicam que a economia pode seguir resiliente, sobretudo com apoio do consumo.

O estímulo fiscal e monetário que ajudou a aquecer a economia pode manter o crescimento acima do seu potencial por mais tempo. Com isso, há pressão sobre a inflação e mais dificuldade para o Banco Central reduzir as metas de inflação. A avaliação é de que o desempenho pode divergir das projeções oficiais.

Analistas apontam que o hiato do produto vem caindo e pode retornar a zero, porém de forma gradual. A XP Investimentos prevê hiato positivo em 0,1% no 1º trimestre e negativo apenas no 3º trimestre de 2027. O mercado enxerga atraso em relação à projeção atual do BC.

O relatório mais recente do Banco Central, o RPM, antecipa hiato ainda positivo em 0,1% no 1º trimestre e negativo nos trimestres seguintes, chegando a -0,4% no 3º trimestre de 2027. Divergências ocorrem pela diferença de metodologias entre mercado e autoridade monetária.

Para o BC, a queda da taxa Selic para 14,5% ao ano, anunciada recentemente, reforça a hipótese de que o retorno da economia ao equilíbrio facilita a queda sustentada da inflação. A previsão de crescimento acima do potencial sustenta esse cenário.

Enquanto isso, o mercado sustenta que a economia já manteve atividade acima da capacidade por quase quatro anos, com picos de 1,5% a 2% do hiato durante o atual governo. Dados recentes indicam retomada da demanda, mesmo com juros elevados.

A recuperação é sustentada por benefícios como a isenção do imposto de renda para salários até 5 mil reais, reajuste do salário mínimo e crédito consignado. Além disso, crédito à disposição e medidas como o Minha Casa, Minha Vida ampliam o consumo.

Há expectativa de novo impulso com o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas que o governo pode anunciar, potencialmente elevando o consumo. Economistas ressaltam que esse tipo de estímulo tende a favorecer atividades sensíveis ao crédito.

Especialistas do mercado destacam que a parcela do crescimento acima do potencial pode ter ficado entre 0,5% e 1% no 1º trimestre. Mesmo com juros altos, setores como construção, automóveis e reformas recebem fôlego de demanda.

Para o Banco Bmg, o hiato pode ter fechado de maneira mais rápida, mas dados recentes de atividade indicam recuperação relativamente recente. Já o Santander aponta que o impulso de demanda no início do ano pode ter ampliado temporariamente o hiato.

O questionário do BC, realizado em março, mostrou que economistas esperavam hiato positivo no fim de 2026. A mediana dessa pesquisa apontava 0,1% acima do potencial no último trimestre de 2026, indicando divergência entre expectativas.

O cenário atual, segundo analistas, depende do ritmo de consumo e de novas medidas de apoio ao crédito. Se a demanda permanecer firme, a convergência da economia ao nível de equilíbrio tende a ocorrer de forma mais gradual.

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