- O Banco da Inglaterra sinalizou que pode haver alta de juros no fim deste ano, mesmo após manter a taxa nesta sessão, devido à incerteza sobre a duração do conflito no Médio Oriente e cenários que pesam diferentes direções para a inflação.
- Em cenário adverso, com petróleo acima de 120 dólares o barril, até seis alta de juros poderiam ocorrer, levando a taxa básica a 5,5%. A alta encarece o crédito e pode elevar a renda de quem tem poupança.
- Mais de sete milhões de proprietários têm hipotecas com taxa fixa; nos próximos três anos, pagamentos médios ao renegociar devem subir cerca de £80 por mês, com variações conforme o preço da energia.
- Contas de energia devem subir neste verão, mas não tanto quanto em 2022; a média atual de bolso de energia é de £1.641 por ano e pode chegar perto de £1.900 em julho, com proteção para quem está em tarifas fixas.
- Famílias de renda menor devem sentir o aperto, já que a inflação de alimentos pode chegar a 4,6% em setembro, pressionando o orçamento com custos de energia, alimentação e habitação.
O Banco da Inglaterra divulgou principais impactos que o conflito no Oriente Médio pode ter sobre finanças, economia e custo de vida no Reino Unido. O relatório destaca cenários para juros, habitação, energia e emprego, com foco em curto e médio prazo.
O banco manteve a taxa básica neste mês, mas sinalizou possibilidade de alta ainda neste ano. A avaliação leva em conta a duração e a intensidade do conflito, além de variações no preço da energia e da inflação.
Em cenários mais adversos, com petróleo acima de US$ 120 o barril e inflação acima de 6% no próximo ano, a taxa pode subir até 5,5%. Em cenários mais favoráveis, quedas são menos prováveis, mas o cenário central aponta para possíveis aumentos graduais.
Despesas com imóveis
Mais de sete milhões de proprietários têm hipotecas com taxa fixa, representando 87% do total. A cada renovação de contrato, prevista para os próximos três anos, os pagamentos médios devem subir em torno de £80 por mês.
Essa estimativa é média e pode variar conforme o comportamento dos preços de energia. Cerca de 53% dos proprietários devem ver aumentos, enquanto aproximadamente 25% de quem fixou juros mais altos pode ter queda nos pagamentos.
Contas de energia
As contas de energia devem subir neste verão, impulsionadas pelos eventos geopolíticos. O regulador Ofgem estabelece o teto de preços para gás e eletricidade na Inglaterra, Escócia e País de Gales.
A estimativa indica aumento próximo de £1.900 no ano, com o teto mantendo-se nesse patamar pelo restante do ano. Ainda assim, o pico não deve ser tão intenso quanto o observado em 2022.
Quase 40% dos domicílios estão em tarifas fixas, o que protege esses consumidores até o fim dos contratos. Quem utiliza medidores pré-pagos poderá consumir menos no verão e enfrentar maiores custos no inverno, caso os preços permaneçam elevados.
Impacto para famílias de menor renda
Em todos os cenários, o custo de vida deve subir, com a inflação pressionando alimentos e energia. A inflação de alimentos pode chegar a 4,6% em setembro, com potencial de alta adicional no decorrer do ano.
Famílias de baixa renda costumam ser mais impactadas, pois parcela maior da renda é destinada a itens essenciais. Embora haja opções de redução de consumo ou uso de poupanças, esse caminho é mais restrito para esses grupos.
Desempenho do emprego
Apesar de uma recente queda inesperada na taxa de desemprego, o desemprego pode subir devido a decisões de poupar mais e reduzir gastos. Demanda fraca aumenta a probabilidade de cortes na contratação, especialmente com custos energéticos elevados.
A inflação ainda deve subir, mas a alta de salários pode não ser automática neste ano, já que muitos acordos de reajuste já foram fechados para 2026. Alguns membros do comitê apontaram que a inflação elevada pode influenciar negociações salariais em 2027.
Entre na conversa da comunidade